TRIBUNA ABERTA
Por Malkhut em 5/ago/2001 em Israel Hoje
Oito anos depois dos acordos de Oslo, em meio a uma onda de violência e terror palestino e sem que se tenha conseguido um tratado de paz, Israel deveria perguntar-se se conta com um parceiro e qual é o futuro do processo de paz.
Apesar da frustração pelo fracasso de Oslo, necessitamos contar com respostas claras e não com meias verdades ou ilusões.
A resposta dolorosa é que Yasser Arafat não conseguiu ser um parceito para a paz e provavelmente não o seja no futuro.
Em Camp David, Arafat compreendeu perfeitamente que havia chegado o momento da verdade e que ambas as partes deviam tomar decisões dolorosas com esse desafio.
O governo israelense, o meu, estava disposto a discutir um acordo que garantiria os interesses vitais de Israel, mas que fora amplo ao mesmo tempo em suas resposta às necessidades palestinas. Incluía um Estado palestino viável, independente e contóguo, ao lado de Israel. Isto satisfazia as resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONUY, tal como são interpretadas pela comunidade internacional. Mas, Arafat demonstrou não possuir a prudência e a coragem do presidente Egípcio Anwar Sadat, ou do rei Hussein, da Jordânia. Ao contrário, desperdiçou cada oportunidade apresentada para alcançar uma paz permanente para seu povo.
É errado pensar que alguém, durante as conversações de Camp David, tenha ditado a Arafat os detalhes de um acordo. As idéias que estavam na mesa continham compromissos difíceis para ambas as partes. Mas Arafat não estava disposto a aceitar as idéias apresentadas por Clinton como marco para as negociações. Haviam poucas provas, na realidade, de que Arafat estava negociande com boa-fé.
Isso me desiludiu e creio que o mesmo ocorreu ao presidente Clinton e a sua equipe. No entanto, o comentário que fazem agora alguns obersevadores, de que Arafat foi pressionado de a assinar a paz em Camp David é algo estranho. Em 1993 assinou uma série de compromissos que o comprometiam a fazer a paz. Até recebeu um Prêmio Nobel da Paz para influenciá-lo a cumprir seus compromissos. Em 2000, nos encaminhávamos a uma situação de estancamento e enfrentávamos um novo período de violência se não chegássemos a um acordo. A violência atual não surgiu como resultado do fracasso de Camp David, surgiu apesar dele.
As negociações em Sharm o Sheik e em Paris, logo, em outubro de 2000, reforçaram minha sensação de que Arafat se interessava, basicamente, em conseguir a participação internacional na crise e faria isso através do uso da violência. Esta posição de parte de um negociador é simplesmente inaceitável para qualquer governo.
Em Janeiro de 2001, fizemos uma última tentativa durante as negociações de Taba. Essas conversações não foram muito importantes porque estávamos em vésperas de eleições em Israel e porque os negociadores palestinos não ofereciam nenhuma proposta viável. Eu acredita que conseguiríamos algum progresso importante. Em lugar disso, Taba foi um encontro nulo e vazio na raiz de um inflexível campanha de terrorismo de parte dos palestinos.
De mal a pior
Nos últimos 10 meses, e aqui me baseio nas informações da inteligência, creio que Arafat esteve liderando atividades terroristas e fez vista grossa aos ataques terroristas do Hamas e do Jihad. Todavia, se nega, inclusive, a voltar a prender dezenas de terroristas que havia liberado. Nunca deteve as provocações contra Israel nos meios palestinos e nunca educou seu povo para a paz com Israel. Tudo isto é imperativo para que Israel possa iniciar novas conversações com Arafat.
Mas sou pessimista sobre esta perspectiva. Araft violou quase todos os acordos que firmou com Israel, tanto no seu espírito, como na sua letra. Os acordos de Oslo confirmavam que a transferência de responsabilidades administrativas para Gaza e Cisjordânia a Arafat faria sua transformação em líder de uma Nação. O total fracasso de Arafat para cumprir com essa presunção é a causa principal da crise de hoje.
Arafat é um protagonista escorregadiu. Descubrir isto me tomou algum tempo e me custou um preço. Levando em conta a violência dos últimos 10 meses e a incapacidade de Arafat para deter o terrorismo, os novos governos nos Estados Unidos e Israel seriam loucos se lhe dessem o benefício da dúvida ou se permitissem, a ele, um líder não democrático, explorar as trocas de governo em Israel e nos Estados Unidos.
O processo de paz é complexo e está cheio de detalhes e sutilezas. Isto sempre foi assim, mas não se devem distorcer os detalhes das conversações de paz de Camp David e, em todo o caso, esses detalhes não foram divulgados por completo. Nestes momentos, 98% da população palestina está sob o controle da Autoridade Palestina como resultado das transferências de terras registradas desde 1993, sob os sucessivos governos israelenses.
O futuro do processo de paz não é brilhante nestes momentos. A cidadania israelense já não confia nas intenções de Arafat. Na falta de um parceiro negociador honesto, Israel deveria desentender-se unilateralmente com os palestinos e fixar uma fronteira dentro da qual uma sólida maioria judia se sentiria segura durante gerações.
Em algum momento do futuro surgirá uma nova condução palestina, capaz de tomar decisões que farão possível a paz com Israel. Quando chegar esse momento, estou seguro de que, nos perfis do acordo, parecerão acertadas as idéias discutidas em Camp David.







algumas coisas nao tem nada a ver com as ideias de sadat
amanda | 18/jun/2009 | Responder