Pessach, uma oportunidade para nos libertarmos!

Pessach, sem dúvida, é um dos mais antigos e o mais amplamente observado dos festivais judaicos. Mesmo até hoje, milhões de judeus, que de outro ângulo não são observantes e apenas esporadicamente frequentam a sinagoga, celebram Pessach de alguma maneira. Uma minoria lê a HAGADAH DE PESSACH e uma maioria terá um jantar festivo com amigos e a família, usufruindo dos deliciosos pratos tradicionais preparados para esta data.

Na Torá, o Festival de Pessach (junto com o Chag Hamtzot – “o Festival dos pães ázimos”) simboliza o êxodo do Egito. A libertação do povo judeu do tirano, faraó Ramsés II, foi conseguida por Moisés e pela Divina Vontade quando o povo judeu cortou as cadeias da escravidão a um país estrangeiro e saiu em direção à Terra Prometida. O valor fundamental da luta contra a opressão e a tirania, e o direito de autogoverno de um grupo, em sua própria terra, estão entre os mais preciosos valores que o povo judeu deu à humanidade, junto com a crença em um só D_us (e a abolição da idolatria), o dia semanal de descanso (o Shabat), e as mensagens de paz, justiça, amor e compaixão dos Profetas de Israel.

Entretanto, de sua parte, nossos Sábios chamaram Pessach de Z’man Cheruteinu – “A época de nossa redenção”. Qual é a diferença entre “o êxodo do Egito” e “a época da nossa redenção”?

Na véspera de Pessach, lemos na Hagadah (a narrativa tradicional do êxodo do Egito) “Cada um de nós deve ver se ele mesmo foi redimido do Egito”, e o motivo, de acordo com nossos Sábios, é que a cada ano, cada um de nós deve experimentar a Festa de Pessach, em toda a sua magnitude.

A mensagem de Pessach é relevante e cheia de significado para as pessoas, mundo afora e ano após ano. Cada um de nós deve libertar-se, a si mesmo, das cadeias da opressão e da tirania. Quais são elas? Elas existem, mesmo? Nossos ancestrais no Egito também não enxergavam a escravidão a que estavam submetidos, escolhendo permanecer na terra segura onde tinham alimento e trabalho duro . Liberdade e a procura por uma vida melhor, amedrontavam o povo de Moisés, tornando difícil quebrar sua rotina como escravos.

Nós, também, temos medo de libertar-nos das muitas cadeias de opressão e, por isso, as negamos. Mas, ao mesmo tempo, temos nossos ídolos: dinheiro, fama, poder e orgulho. Durante Pessach devemos nos libertar da idéia de fazer um ídolo do dinheiro, este tirano que exile de nós mais e mais, cada dia. Devemos descansar desta louca tentativa de aumentar nossa conta bancária e dedicar mais tempo à nossa família, nossos amigos e a nós mesmos. Um bom caminho para redimir-nos do tirano que é o dinheiro é comprar algo para nós mesmos, que sempre desejamos, mas tínhamos medo de que fosse caro demais.

Quebremos as cadeias! Não ficaremos mais pobres mas, ao invés, mais ricos e felizes, se nos renovarmos junto com a primavera. Pessach, também, é Chag Ha’aviv – “o Festival da Primavera”.

Com que frequência lembramos um amigo, um parente, alguém que conhecemos em nossa infância e com quem não falamos mais, em razão de algo que aconteceu muitos anos atrás? Libertemo-nos da opressão do orgulho! Sejamos aquele que vai pegar o telefone e tornar possível a reconciliação, o renascimento da amizade.

No ano 419 antes da Era Comum, os judeus de Elefantina pediram instruções aos Sábios judeus de Jerusalém sobre como observar Pessach. Um mensageiro chamado Chanania trouxe-lhes uma mensagem de Jerusalém, em um papiro que agora representa o mais antigo documento, fora da Bíblia, acerca do Festival de Pessach. Naquela carta uma das diretivas era “limpem-se e se purifiquem”. Esta noção de estar limpo e puro em Pessach tem sido sempre relevante para os judeus, através dos tempos.

Limpamos nossos lares para Pessach de um modo meticuloso e sistemático, de forma a nos desfazermos de todo chametz (alimentos levedados) e, assim, cumprir com a tradição judaica para este feriado. Gastamos um bom tempo limpando nossas casas para Pessach, entretanto, quanto tempo gastamos para purificar e limpar nossos corações e nossa consciência? A limpeza exterior deve levar à limpeza interior. O chametz que devemos remover não está apenas em nossas casas mas, especialmente, em nossas almas. Do mesmo modo que queimamos o chametz que encontramos em nossas casas, devemos queimar o chametz que oprime nossos corações. Devemos queimar e libertar-nos do ódio e da mesquinharia de nosso ser.

Nossos Sábios mostraram grande sabedoria ao chamarem Pessach de Z’man Cheruteinu – “a época de nossa redenção”. A antiga mensagem aos judeus de Elefantina é válida para nós, bem como o “limpar-nos e purificar-nos”. Que possa ser a vontade de D_us, neste Pessach 5761, que sejamos capazes de libertar-nos espiritualmente, de modo a queimarmos o chametz em nossos corações, a vencer o ódio e a mesquinhez que possam existir dentro de nós e que sejamos capazes de renovar nossos laços com D_us, com a natureza, com nossas famílias com aqueles a quem queremos bem. Chag Sameach para todos vocês!

(tradução: Adivo Paim Filho)


Envie um comentário

  • Categorias

  • Arquivos

    • Leitura