Parashah – VA’ERA
Por Moshe Ben Mazal em 13/jan/2010 em Parashah
16 de Janeiro de 2010 / 1° de Shevat de 5770.
Parashah – VA’ERÁ – Êx. 6:1 – 9:35.
Haftarah – Ez.28:25 – 29:21.
A dureza de Faraó: Com intrepidez Moisés e Aarão se apresentaram na sala de audiências de Faraó e lhe comunicaram a exigência do Eterno.
Por que D-us exigiu de Faraó somente a permissão de que seu povo fosse ao deserto para celebrar festa por três dias, quando pensava em efetuar sua saída permanentemente? D-us provou ao rei com uma petição pequena sabendo com antecedência a dureza de seu coração. Faraó respondeu com arrogância: “Quem é o D-us, cuja voz eu ouvirei?” os faraós eram vistos como filhos de Rá, o deus solar do Egito, de maneira que Faraó se considerava a si mesmo um deus. Não tardou em comunicar a única razão pela qual desejavam celebrar a festa era estar demasiado ocioso, e tornou mais pesado o trabalho dos hebreus negando-lhes a palha necessária para produzir tijolos.
A atitude de Faraó não somente deixou os hebreus mais desejosos de sair do Egito, mas também os ajudou a perceber que somente o poder de D-us poderia livrá-los. Com freqüência, quando D-us começa a emancipar o homem do pecado, o efeito imediato é o aumento de dificuldades. Assim os primeiros feitos de Moisés só pioraram a situação, pois o inimigo de nossas almas (satanás) não se dá por vencido sem lutar tenazmente.
Os hebreus culparam amargamente a Moisés e este, por sua vez protestou perante o Eterno. Foi Faraó quem disse: “Quem é o D-us?” contudo, Faraó e os egípcios não eram os únicos que necessitavam ver a natureza de D-us. Israel o necessitava, e Moisés também. D-us respondeu a seu desanimado servo, reiterando as promessas feitas aos patriarcas e de novo prometeu livrar a seu povo.
Os israelitas encontravam-se tão desanimados depois da negativa de Faraó que não quiseram sequer ouvir a Moisés quando este lhes transmitiu o que o Eterno lhe havia revela. Era óbvio que se D-us os salvava, tinha de fazê-lo por pura graça. Somente depois que Israel veio a sentir-se completamente impotente foi que D-us começou a revelar-se por meio das pragas. O Eterno mandou Moisés dizer a Faraó que deixasse o povo hebreu sair. Prometeu fazer de Moisés um operador de prodígios, de modo que Faraó o visse como um deus e Aarão, porta-voz de Moisés fosse visto como profeta.
As pragas: Uma das palavras hebraicas que se traduzem por praga no êxodo significa dar golpes ou ferir. Outras duas palavras descrevem as pragas como sinais e juízos. De modo que as pragas foram tanto sinais divinos que demonstraram que o Eterno é D-us supremo, como atos divinos pelos quais D-us julgou os egípcios e libertou a seu povo.
As pragas foram respostas de D-us à pergunta de Faraó: ”Quem é o D-us, cuja voz eu ouvirei?” Cada praga foi, por outro lado, um deságio aos deuses egípcios e uma censura à idolatria. Os egípcios prestavam culto às forças da natureza tais como o rio Nilo, o sol, a Lua, a Terra, o touro e muitos outros animais. Agora as divindades egípcias ficaram em evidente demonstração de sua impotência perante o Eterno, não podendo proteger aos egípcios nem intervir a favor de ninguém.
A ordem das pragas é a seguinte:
- A água do Nilo converteu-se em sangue. Foi um golpe conta Hapi, o deus das inundações do Nilo.
- A terra ficou infestada de rãs. Os egípcios relacionavam as rãs com os deuses Hapi e Ecte.
- A praga dos piolhos (talvez mosquitos). O pó da terra, considerado sagrado no Egito, converteu-se em insetos muitos importunadores.
- Enormes enxames de moscas encheram o Egito. Deve ter sido um tormento para os egípcios.
- Morreu o gado. Amom, o deus adorado em todo o Egito, era um carneiro, animal sagrado. No Baixo Egito eram adoradas diversas divindades cujas formas eram de carneiro, de bode ou de touro.
- As cinzas que os sacerdotes egípcios espalhavam como sinal de bênção causava úlceras dolorosas.
- A tempestade de trovões, raios e saraiva devastou a vegetação, as colheitas de cevada e de linho e matou os animais do Egito. Este tipo de tempestade era quase desconhecido no Egito. O termo trovão em hebraico significa literalmente vozes de D-us e aqui se insinua que D-us falava em juízo. Os egípcios que escutaram a advertência misericordiosa de D-us, salvaram seu gado.
- A praga de gafanhotos trazida por um vento oriental consumiu a vegetação que havia sobrado da tempestade de saraiva. Os deuses Isis e Seráfis foram impotentes, eles que supostamente protegiam o Egito dos gafanhotos.
- As trevas que caíram sobre o país foi o grande golpe contra todos os deuses, especialmente contra Rá, o deus solar. As luminares celestes, objetos de culto, eram incapazes de penetrar a densa escuridão. Foi um golpe direto contra o próprio faraó, suposto filho do Sol.
- A morte dos primogênitos. O Egito havia oprimido o primogênito do Eterno e agora eles próprios sofriam a perda de todos os seus primogênitos.
Observação sobre as pragas: Calcula-se que o período das pragas tenha durado pouco menos de um ano. As primeiras três pragas: sangue, rãs e piolhos caíram tento sobre Israel como na terra egípcia, pois D-us quis ensinar a ambos os povos que erro o Eterno. Mas os sete seguintes açoites castigaram somente aos egípcios para que soubessem que o D-us que cuidava de Israel era também o soberano do Egito e mais forte do que seus deuses. As pragas foram progressivamente mais severas até que quase destruíram o Egito.
As nove primeiras pragas podem ser divididas em três grupos de três pragas cada um. O primeiro grupo: água convertida em sangue, rãs e piolhos causaram asco e repugnância. O segundo grupo: as moscas que picavam a peste sobre o gado e as úlceras sobre os egípcios caracterizavam-se por serem muito doloridas. O ultimo grupo: a saraiva, os gafanhotos e as trevas foram dirigidos contra a natureza; estas últimas produziram grande consternação. A morte dos primogênitos foi o golpe esmagador.
Os feiticeiros egípcios imitaram os dois primeiros açoites, mas quando o Egito foi ferido de piolhos, confessaram que o poder de D-us era superior ao deles e que esta praga era realmente sobrenatural. Os magos não tiveram de reproduzir a praga de úlceras. Não puderam livrar-se a si mesmos dos terríveis juízos nem muito menos a todo o Egito.
Em resumo, as pragas cumpriram os seguintes propósitos:
- Demonstraram que o Eterno é o D-us supremo e soberano. Tanto os israelitas como os egípcios souberam quem era o Eterno.
- Derrocaram as divindades do Egito.
- Castigaram os egípcios por haverem oprimido aos israelitas e por lhes haverem amargado tanto a vida.
- Efetuaram o livramento de Israel e o prepararam para conduzir-se em obediência e fé.
Shabat Shalom.
MSc. Moshe ben Mazal







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