Parashah – TOLEDOT
Por Moshe Ben Mazal em 5/nov/2010 em Parashah
Bênçãos para a Leitura na Torah.
6 de Novembro de 2010 – 29 de “Cheshvan” de 5771.
1° – Benção inicial:
O chamado: Barechú et Adonay hamevorach.
O oficiante: Baruch Adonay hamevorach.
O chamado: Baruch Adonay hamevorach leolám vaéd. Baruch leolám vaéd. Baruch Atá Adonay, Elohénu Mélech haolam, Ashér bachar bánu mikol haamim, venatan lánu et Torató; Baruch Atá Adonay, notén haTorah.
Os presentes: Amem VeAmen!
Benção final:
O chamado: Baruch Atá Adonay, Elohénu Mélech haolám, Ashér natan lánu Torató, Torát emét; vechayé olam natá betochénu; Baruch Atá Adonay, notén há-Torah.
Os presentes: Amem VeAmen!
2° – Estudo Semanal
06. TOLEDOT – Bereshit (Gn.) 25:19 – 28:9
25
19. E estas são as gerações de Izaque, filho de Abraão: Abraão gerou a Izaque; 20. e Izaque tinha quarenta anos quando tomou por mulher a Rebeca, filha de Betuel, arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, arameu. 21. Ora, Izaque orou insistentemente ao Eterno por sua mulher, porquanto ela era estéril; e o Eterno ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu. 22. E os filhos lutavam no ventre dela; então ela disse: Por que estou eu assim? E foi consultar ao Eterno. 23. Respondeu-lhe o Eterno: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas estranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o mais velho servirá ao mais moço. 24. Cumpridos que foram os dias para ela dar à luz, eis que havia gêmeos no seu ventre. 25. Saiu o primeiro, ruivo, todo ele como um vestido de pelo; e chamaram-lhe Esaú. 26. Depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; pelo que foi chamado Jacó. E Izaque tinha sessenta anos quando Rebeca os deu à luz. 27. Cresceram os meninos; e Esaú tornou-se perito caçador, homem do campo; mas Jacó, homem sossegado, que habitava em tendas. 28. Izaque amava a Esaú, porque comia da sua caça; mas Rebeca amava a Jacó. 29. Jacó havia feito um guisado, quando Esaú chegou do campo, muito cansado; 30. e disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou muito cansado. Por isso se chamou Edom. 31. Respondeu Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura. 32. Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo, para que me servirá o direito de primogenitura? 33. Ao que disse Jacó: Jura-me primeiro. Jurou-lhe, pois; e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó. 34. Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e, levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura.
26
1. Sobreveio à terra uma fome, além da primeira, que ocorreu nos dias de Abraão. Por isso foi Izaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar. 2. E apareceu-lhe o Eterno e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser; 3. peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti, e aos que descenderem de ti, darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que fiz a Abraão teu pai; 4. e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu, e lhe darei todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as nações da terra;
5. porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis. (O 2° é chamado) 6. Assim habitou Izaque em Gerar. 7. Então os homens do lugar perguntaram-lhe acerca de sua mulher, e ele respondeu: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura, dizia ele, não me matassem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era ela formosa à vista. 8. Ora, depois que ele se demorara ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Izaque estava brincando com Rebeca, sua mulher. 9. Então chamou Abimeleque a Izaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: E minha irmã? Respondeu-lhe Izaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por sua causa. 10. Replicou Abimeleque: Que é isso que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com tua mulher, e tu terias trazido culpa sobre nós. 11. E Abimeleque ordenou a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste homem ou em sua mulher, certamente morrerá. 12. Izaque semeou naquela terra, e no mesmo ano colheu o cêntuplo; e o Eterno o abençoou. (O 3° é chamado) 13. E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo até que se tornou mui poderoso; 14. e tinha possessões de rebanhos e de gado, e muita gente de serviço; de modo que os filisteus o invejavam. 15. Ora, todos os poços, que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de seu pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra. 16. E Abimeleque disse a Izaque: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós. 17. Então Izaque partiu dali e, acampando no vale de Gerar, lá habitou. 18. E Izaque tornou a cavar os poços que se haviam cavado nos dias de Abraão seu pai, pois os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão; e deu-lhes os nomes que seu pai lhes dera. 19. Cavaram, pois, os servos de Izaque naquele vale, e acharam ali um poço de águas vivas. 20. E os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Izaque, dizendo: Esta água é nossa. E ele chamou ao poço Esseque, porque contenderam com ele. 21. Então cavaram outro poço, pelo qual também contenderam; por isso chamou-lhe Sitna. 22. E partiu dali, e cavou ainda outro poço; por este não contenderam; pelo que chamou-lhe Reobote, dizendo: Pois agora o Senhor nos deu largueza, e havemos de crescer na terra. (O 4° é chamado) 23. Depois subiu dali a Beer-Seba. 24. E apareceu-lhe o Eterno na mesma noite e disse: Eu sou o D-us de Abraão, teu pai; não temas, porque eu sou contigo, e te abençoarei e multiplicarei a tua descendência por amor do meu servo Abraão. 25. Izaque, pois, edificou ali um altar e invocou o nome do Eterno; então armou ali a sua tenda, e os seus servos cavaram um poço. 26. Então Abimeleque veio a ele de Gerar, com Aüzate, seu amigo, e Ficol, o chefe do seu exército. 27. E perguntou-lhes Izaque: Por que viestes ter comigo, visto que me odiais, e me repelistes de vós? 28. Responderam eles: Temos visto claramente que o Eterno é contigo, pelo que dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos um pacto contigo, 29. que não nos farás mal, assim como nós não te havemos tocado, e te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Eterno. (O 5° é chamado) 30. Então Izaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam. 31. E levantaram-se de manhã cedo e juraram de parte a parte; depois Izaque os despediu, e eles se despediram dele em paz. 32. Nesse mesmo dia vieram os servos de Izaque e deram-lhe notícias acerca do poço que haviam cavado, dizendo-lhe: Temos achado água. 33. E ele chamou o poço Seba; por isso é o nome da cidade Beer-Seba até o dia de hoje. 34. Ora, quando Esaú tinha quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, o heteu e a Basemate, filha de Elom, o heteu. 35. E estas foram para Izaque e Rebeca uma amargura de espírito.
27
1. Quando Izaque já estava velho, e se lhe enfraqueciam os olhos, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho! Ele lhe respondeu: Eis-me aqui! 2. Disse-lhe o pai: Eis que agora estou velho, e não sei o dia da minha morte; 3. toma, pois, as tuas armas, a tua aljava e o teu arco; e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça; 4. e faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma; a fim de que a minha alma te abençoe, antes que morra. 5. Ora, Rebeca estava escutando quando Izaque falou a Esaú, seu filho. Saiu, pois, Esaú ao campo para apanhar caça e trazê-la. 6. Disse então Rebeca a Jacó, seu filho: Eis que ouvi teu pai falar com Esaú, teu irmão, dizendo: 7. Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante do Eterno, antes da minha morte. 8. Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te ordeno: 9. Vai ao rebanho, e traze-me de lá das cabras dois bons cabritos; e eu farei um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta; 10. e levá-lo-ás a teu pai, para que o coma, a fim de te abençoar antes da sua morte. 11. Respondeu, porém, Jacó a Rebeca, sua mãe: Eis que Esaú, meu irmão, é peludo, e eu sou liso. 12. Porventura meu pai me apalpará e serei a seus olhos como enganador; assim trarei sobre mim uma maldição, e não uma bênção. 13. Respondeu-lhe sua mãe: Meu filho, sobre mim caia essa maldição; somente obedece à minha voz, e vai trazer-mos. 14. Então ele foi, tomou-os e os trouxe a sua mãe, que fez um guisado saboroso como seu pai gostava. 15. Depois Rebeca tomou as melhores vestes de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho mais moço; 16. com as peles dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço; 17. e pôs o guisado saboroso e o pão que tinha preparado, na mão de Jacó, seu filho. 18. E veio Jacó a seu pai, e chamou: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui; quem és tu, meu filho? 19. Respondeu Jacó a seu pai: Eu sou Esaú, teu primogênito; tenho feito como me disseste; levanta-te, pois, senta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe. 20. Perguntou Izaque a seu filho: Como é que tão depressa a achaste, filho meu? Respondeu ele: Porque o Eterno, teu D-us, a mandou ao meu encontro. 21. Então disse Izaque a Jacó: Chega-te, pois, para que eu te apalpe e veja se és meu filho Esaú mesmo, ou não. 22. chegou-se Jacó a Izaque, seu pai, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú. 23. E não o reconheceu, porquanto as suas mãos estavam peludas, como as de Esaú seu irmão; e abençoou-o. 24. No entanto perguntou: Tu és mesmo meu filho Esaú? E ele declarou: Eu o sou. 25. Disse-lhe então seu pai: Traze-mo, e comerei da caça de meu filho, para que a minha alma te abençoe: E Jacó lho trouxe, e ele comeu; trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu. 26. Disse-lhe mais Izaque, seu pai: Aproxima-te agora, e beija-me, meu filho. 27. E ele se aproximou e o beijou; e seu pai, sentindo-lhe o cheiro das vestes o abençoou, e disse: Eis que o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo que o Eterno abençoou. (O 6° é chamado) 28. Que D-us te dê do orvalho do céu, e dos lugares férteis da terra, e abundância de trigo e de mosto; 29. sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; sejam malditos os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem. 30. Tão logo Izaque acabara de abençoar a Jacó, e este saíra da presença de seu pai, chegou da caça Esaú, seu irmão; 31. e fez também ele um guisado saboroso e, trazendo-o a seu pai, disse-lhe: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que a tua alma me abençoe. 32. Perguntou-lhe Izaque, seu pai: Quem és tu? Respondeu ele: Eu sou teu filho, o teu primogênito, Esaú. 33. Então estremeceu Izaque de um estremecimento muito grande e disse: Quem, pois, é aquele que apanhou caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o, e ele será bendito. 34. Esaú, ao ouvir as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai! 35. Respondeu Izaque: Veio teu irmão e com sutileza tomou a tua bênção. 36. Disse Esaú: Não se chama ele com razão Jacó, visto que já por duas vezes me enganou? Tirou-me o direito de primogenitura, e eis que agora me tirou a bênção. E perguntou: Não reservaste uma bênção para mim? 37. Respondeu Izaque a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido. Que, pois, poderei eu fazer por ti, meu filho? 38. Disse Esaú a seu pai: Porventura tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a voz, e chorou. 39. Respondeu-lhe Izaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, longe do orvalho do alto céu; 40. pela tua espada viverás, e a teu irmão, serviras; mas quando te tornares impaciente, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço. 41. Esaú, pois, odiava a Jacó por causa da bênção com que seu pai o tinha abençoado, e disse consigo: Vêm chegando os dias de luto por meu pai; então hei de matar Jacó, meu irmão. 42. Ora, foram denunciadas a Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; pelo que ela mandou chamar Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse: Eis que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, propondo matar-te. 43. Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz; levanta-te, refugia-te na casa de Labão, meu irmão, em Harã, 44. e demora-te com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão; 45. até que se desvie de ti a ira de teu irmão, e ele se esqueça do que lhe fizeste; então mandarei trazer-te de lá; por que seria eu desfilhada de vós ambos num só dia? 46. E disse Rebeca a Izaque: Enfadada estou da minha vida, por causa das filhas de Hete; se Jacó tomar mulher dentre as filhas de Hete, tais como estas, dentre as filhas desta terra, para que viverei?
28
1. Izaque, pois, chamou Jacó, e o abençoou, e ordenou-lhe, dizendo: Não tomes mulher dentre as filhas de Canaã. 2. Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá uma mulher dentre as filhas de Labão, irmão de tua mãe. 3. D-us Todo-Poderoso te abençoe, te faça frutificar e te multiplique, para que venhas a ser uma multidão de povos; seu
4. e te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que herdes a terra de tuas peregrinações, que D-us deu a Abraão. (O 7° é chamado) 5. Assim despediu Izaque a Jacó, o qual foi a Padã-Arã, a Labão, filho de Betuel, arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú. 6. Ora, viu Esaú que Izaque abençoara a Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para tomar de lá mulher para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher dentre as filhas de Canaã, (Maftir) 7. e que Jacó, obedecendo a seu pai e a sua mãe, fora a Padã-Arã; 8. vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Izaque seu pai, 9. foi-se Esaú a Ismael e, além das mulheres que já tinha, tomou por mulher a Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote.
3° Reflexão
O início de nosso estudo começa pela observação do pereq 25: e pasukim 22 e 23 – 22.E os filhos lutavam no ventre dela; então ela disse: Por que estou eu assim? E foi consultar ao Eterno. 23. Respondeu-lhe o Eterno: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas estranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o mais velho servirá ao mais moço.
Pois bem, estes dois povos são Israel e Edom, o último assim designado segundo interpretação do pasuk 30 – E disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou muito cansado. Por isso se chamou Edom -.
Há uma questão que nos chama a atenção é o fato da falta de responsabilidade para com o que é de direito, ou seja, Esaú trocou um direito nato, o da primogenitura por coisa fútil. Podemos claramente entender que a fome é algo que incomoda, mas foi por uma questão de comodismo – por que não dizer preguiça? – que Esaú trocou algo ímpar por um pouco de pão, guisado e lentilha. Que esta passagem nos sirva de alerta para nunca nos acomodarmos, especialmente nas coisas pertinente ao nosso Eterno D-us.
No parágrafo supra nos defrontamos com o desprezo da parte de Esaú. Vejamos: – 32. Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo, para que me servirá o direito de primogenitura? 34. . . . Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura.
Avançando no texto, temos no pereq 26 a partir do pasuk 12 ao pasuk 33 que o eixo do assunto é “abrir poço”. Abrir poço eu não vejo só à questão física da água, mas sim algo figurado que é bem mais profundo, que mexe nosso íntimo. Eu já vi abrirem poços, então vamos analisar um fator, a visão física daquele que está abrindo poço. No primeiro momento, é demarcado o local onde será aberto o poço, naquele instante o operário tem uma visão total até onde a vista alcança. Tirada a primeira camada de terra, a visão muda um pouco, ou seja, junto aos pés onde era grama, agora há um círculo de terra revolvida. Na medida em que se vai aumentando a cava, o horizonte visual do operário, pois ele muda seu plano de visão e assim o horizonte fica aquém daquele observado primeiro.
Chega um momento em que a cava é mais funda do que a altura do operário, então neste momento a sua vista só detecta aquilo que está logo ali, as entranhas da terra. Quando seus olhos estavam exatamente no horizonte da grama, verá que a parte mais superior da grama é verde, suas raízes mais superiores terão coloração esbranquiçada por falta da foto-síntese, logo abaixo a raiz irá escurecer provocada pela absorção da terra, e em etapa seguinte, a raiz ficará praticamente da cor da terra.
Há um verdadeiro dégradé.
Este “fenômeno” não acontece apenas com as raízes da planta, mas também com o solo. A parte mais superior será preta (humos), logo em seguida irá mudar tanto a coloração como a composição e assim, dependendo de região para região, na medida em que se vá cavando, encontrará diversidade de solo como o argiloso, arenito, basalto, etc. Eu acredito que este mix de solo, de uma forma ou outra faz com que encarregado de abrir o poço, vá observando tais mudanças ora de forma tênue, ora de forma brusca e tirar alguma analogia com algo com o qual vive de forma estreita..
Agora, acredito que estamos prontos para também fazer uma analogia com o descrito sobre o ato de se abrir poços. Façamos então uma reflexão sobre nossa própria vida, como ela é, a importância aos demais fatores com que lidamos no dia-a-dia, as buscas, vitórias, e por que não derrotas? As alegrias e as lágrimas, a dor lá no fundo de nosso âmago. E por que não com nossa consciência? Se rimos ou choramos, agimos assim não pelo fato de sermos humanos (no sentido mais vulgar), mas sim pelo fato de que nós temos espírito – o sopro da vida vinda da parte o Eterno. Baruch HaShem – e alma (que age como um juiz – mas nem sempre muito justo –.
Esta auto-análise acontece quando somos levados a fazer uma INTROSPECÇÃO.
É! Uma análise profunda do nosso Eu, do Ego, Super Ego e o ID, somado ao estado mental, crenças, valores, cultura (não apenas acadêmicas, mas cultura no sentido de raízes). Quando tudo isto se somam, temos um momento muito especial na nossa vida, ou seja, somos tomados por algo estranho que “derruba” nossas barreiras, nos recolhemos a nós mesmos e ficamos tal qual uma criança, carentes de estar de mãos dadas a da mão materna. Neste instante nós sentimos carência de um contato não físico, mas sim um contato muito íntimo com nosso D-us. Quando realmente sentimos este êxtase, e porque estamos analisando o estado de introspecção em que estamos. Esquecemos onde estamos, quem está ao nosso derredor, não importa os outros. Importa que estamos frente ao Eterno. São momentos sublimes.
Creio que estão conseguindo entender o que é viver este tipo de momento. Se olharmos o texto do Salmo 133 pasukim 1 e 2 – 1. Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! 2. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla dos seus vestidos –.
Entendo que há mais tópicos possíveis de serem trabalhados, mas acredito que só o fato de podermos abrir nosso coração de par em par, sem dúvida alguma, poderemos entender realmente a mensagem que D-us nos propicia. Que o texto do Salmo possa despertar em cada um de nós um momento muito especial na forma introspectiva. Que esta introspecção propicie uma maior responsabilidade e que em primeiro lugar que estejamos prontos para mudar, no nosso levantar, nosso caminhar e nosso deitar, isto é, todos os dias, todo o dia.
Amem VeAmem
Shabat Shalom
Moshe ben Mazal







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