Parashah – MIKÉTZ
Por Moshe Ben Mazal em 3/dez/2010 em Parashah
Bênçãos para a Leitura na Torah.
4 de Dezembro de 2010 – 27 de “Kislev” de 5771.
1° – Benção inicial:
O chamado: Barechú et Adonay hamevorach.
O oficiante: Baruch Adonay hamevorach.
O chamado: Baruch Adonay hamevorach leolám vaéd. Baruch leolám vaéd. Baruch Atá Adonay, Elohénu Mélech haolam, Ashér bachar bánu mikol haamim, venatan lánu et Torató; Baruch Atá Adonay, notén haTorah.
Os presentes: Amem VeAmen!
Benção final:
O chamado: Baruch Atá Adonay, Elohénu Mélech haolám, Ashér natan lánu Torató, Torát emét; vechayé olam natá betochénu; Baruch Atá Adonay, notén há-Torah.
Os presentes: Amem VeAmen
2° – Estudo Semanal
10.MIKÉTZ
41
1. Passados dois anos inteiros, Faraó sonhou que estava em pé junto ao rio Nilo; 2. e eis que subiam do rio sete vacas, formosas à vista e gordas de carne, e pastavam no carriçal. 3. Após elas subiam do rio outras sete vacas, feias à vista e magras de carne; e paravam junto às outras vacas à beira do Nilo. 4. E as vacas feias à vista e magras de carne devoravam as sete formosas à vista e gordas. Então Faraó acordou. 5. Depois dormiu e tornou a sonhar; e eis que brotavam dum mesmo pé sete espigas cheias e boas. 6. Após elas brotavam sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental; 7. e as espigas miúdas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então Faraó acordou, e eis que era um sonho. 8. Pela manhã o seu espírito estava perturbado; pelo que mandou chamar todos os adivinhadores do Egito, e todos os seus sábios. Faraó contou-lhes os seus sonhos, mas não havia quem lhos interpretasse. Estavam no cárcere da casa de seu senhor, dizendo vossos semblantes tão tristes hoje? 9. Então disse o copeiro-mor a Faraó: Das minhas faltas me lembro hoje: 10. Faraó estava muito indignado contra os seus servos, e entregou-me à prisão na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro chefe. 11. Então tivemos um sonho na mesma noite, eu e ele, e cada sonho com sua própria interpretação. 12. Estava ali conosco um moço hebreu, servo do capitão da guarda, e contamos-lhe os sonhos, e ele interpretou os nossos sonhos, a cada um interpretou conforme o seu sonho. 13. E conforme a sua interpretação, assim mesmo aconteceu: eu fui restituído ao meu cargo, e ele foi enforcado. 14. Então Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair apressadamente da masmorra. Ele se barbeou, mudou de roupa e apresentou-se a Faraó. (O 2° é chamado) 15. Disse Faraó a José: Eu tive um sonho e não há quem o interprete. Mas de ti ouvi dizer que, ouvindo contar um sonho, podes interpretá-lo. 16. Respondeu José a Faraó: Isso não está em mim, mas Deus é que dará uma resposta de paz a Faraó. 17. Então disse Faraó a José: Em meu sonho eu estava em pé à beira do rio Nilo, 18. e subiam do rio sete vacas gordas e formosas à vista, e pastavam entre os juncos. 19. Após elas subiam outras sete vacas, fracas, muito feias à vista e magras de carne, tão feias quais nunca vi em toda terra do Egito. 20. As vacas magras e feias devoravam as primeiras sete vacas gordas. 21. Mas depois de as terem consumido, não se podia reconhecer que as houvessem consumido; a sua aparência era tão feia como no princípio. Então acordei. 22. Depois vi, em meu sonho, que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas. 23. Após elas brotavam sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental. 24. As sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. Contei-o aos magos, mas não houve quem o interpretasse. 25. Então disse José a Faraó: O sonho de Faraó é um só. O que Deus há de fazer, notificou-o a Faraó. 26. As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas também são sete anos; o sonho é um só. 27. As sete vacas magras e feias que subiam após as primeiras, são sete anos, como as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental: são sete anos de fome. 28. Esta é a palavra que eu disse a Faraó: o que Deus há de fazer mostro-o a Faraó. 29. Vêm sete anos de grande fartura em toda terra do Egito. 30. Depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra. 31. Não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que seguirá; porquanto será gravíssima. 32. Ora, se o sonho foi duplicado a Faraó, é porque esta coisa é determinada por Deus, e ele brevemente a fará. 33. Portanto, proveja-se agora Faraó de um homem entendido e sábio, e o ponha sobre a terra do Egito. 34. Faça isto Faraó: nomeie administradores sobre a terra, que tomem a quinta parte dos produtos da terra do Egito nos sete anos de fartura; 35. e ajuntem eles todo o mantimento destes bons anos que vêm, e amontoem trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades e o guardem; 36. assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome, que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome. 37. Esse parecer foi bom aos olhos de Faraó, e aos olhos de todos os seus servos. 38. Perguntou, pois, Faraó a seus servos: Poderíamos achar um homem como este, em quem haja o espírito de Deus? (O 3° é chamado) 39. Depois disse Faraó a José: Porquanto Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão entendido e sábio como tu. 40. Tu estarás sobre a minha casa, e por tua voz se governará todo o meu povo; somente no trono eu serei maior que tu. 41. Disse mais Faraó a José: Vê, eu te hei posto sobre toda a terra do Egito. 42. E Faraó tirou da mão o seu anel-sinete e pô-lo na mão de José, vestiu-o de traje de linho fino, e lhe pôs ao pescoço um colar de ouro. 43. Ademais, fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele: Ajoelhai-vos. Assim Faraó o constituiu sobre toda a terra do Egito. 44. Ainda disse Faraó a José: Eu sou Faraó; sem ti, pois, ninguém levantará a mão ou o pé em toda a terra do Egito. 45. Faraó chamou a José Zafnate-Paneã, e deu-lhe por mulher Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois saiu José por toda a terra do Egito. 46. Ora, José era da idade de trinta anos, quando se apresentou a Faraó, rei do Egito. E saiu José da presença de Faraó e passou por toda a terra do Egito. 47. Durante os sete anos de fartura a terra produziu com abundância; 48. e José ajuntou todo o mantimento dos sete anos, que houve na terra do Egito, e o guardou nas cidades; o mantimento do campo que estava ao redor de cada cidade, guardou-o dentro da mesma. 49. Assim José ajuntou muitíssimo trigo, como a areia do mar, até que cessou de contar; porque não se podia mais contá-lo. 50. Antes que viesse o ano da fome, nasceram a José dois filhos, que lhe deu Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. 51. E chamou José ao primogênito Manassés; porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai. 52. Ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição. (O 4° é chamado) 53. Acabaram-se, então, os sete anos de fartura que houve na terra do Egito; 54. e começaram a vir os sete anos de fome, como José tinha dito; e havia fome em todas as terras; porém, em toda a terra do Egito havia pão. 55. Depois toda a terra do Egito teve fome, e o povo clamou a Faraó por pão; e Faraó disse a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser, fazei.
56. De modo que, havendo fome sobre toda a terra, abriu José todos os depósitos, e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito. 57. Também de todas as terras vinham ao Egito, para comprarem de José; porquanto a fome prevaleceu em todas as terras.
42
1. Ora, Jacó soube que havia trigo no Egito, e disse a seus filhos: Por que estais olhando uns para os outros? 2. Disse mais: Tenho ouvido que há trigo no Egito; descei até lá, e de lá comprai-o para nós, a fim de que vivamos e não morramos. 3. Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo no Egito. 4. Mas a Benjamim, irmão de José, não enviou Jacó com os seus irmãos, pois disse: Para que, porventura, não lhe suceda algum desastre. 5. Assim entre os que iam lá, foram os filhos de Israel para comprar, porque havia fome na terra de Canaã. 6. José era o governador da terra; era ele quem vendia a todo o povo da terra; e vindo os irmãos de José, prostraram-se diante dele com o rosto em terra. 7. José, vendo seus irmãos, reconheceu-os; mas portou-se como estranho para com eles, falou-lhes asperamente e perguntou-lhes: Donde vindes? Responderam eles: Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento. 8. José, pois, reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram. 9. Lembrou-se então José dos sonhos que tivera a respeito deles, e disse-lhes: Vós sois espias, e viestes para ver a nudez da terra. 10. Responderam-lhe eles: Não, senhor meu; mas teus servos vieram comprar mantimento. 11. Nós somos todos filhos de um mesmo homem; somos homens de retidão; os teus servos não são espias. 12. Replicou-lhes: Não; antes viestes para ver a nudez da terra. 13. Mas eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem da terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, e outro já não existe. 14. Respondeu-lhe José: É assim como vos disse; sois espias. 15. Nisto sereis provados: Pela vida de Faraó, não saireis daqui, a menos que venha para cá vosso irmão mais novo. 16. Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão, mas vós ficareis presos, a fim de serem provadas as vossas palavras, se há verdade convosco; e se não, pela vida de Faraó, vós sois espias. 17. E meteu-os juntos na prisão por três dias. 18. Ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; porque eu temo a Deus. (O 5° é chamado) 19. Se sois homens de retidão, que fique um dos irmãos preso na casa da vossa prisão; mas ide vós, levai trigo para a fome de vossas casas, 20. e trazei-me o vosso irmão mais novo; assim serão verificadas vossas palavras, e não morrereis. E eles assim fizeram. 21. Então disseram uns aos outros: Nós, na verdade, somos culpados no tocante a nosso irmão, porquanto vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava, e não o quisemos atender; é por isso que vem sobre nós esta angústia. 22. Respondeu-lhes Rúben: Não vos dizia eu: Não pequeis contra o menino; Mas não quisestes ouvir; por isso agora é requerido de nós o seu sangue. 23. E eles não sabiam que José os entendia, porque havia intérprete entre eles. 24. Nisto José se retirou deles e chorou. Depois tornou a eles, falou-lhes, e tomou a Simeão dentre eles, e o amarrou perante os seus olhos. 25. Então ordenou José que lhes enchessem de trigo os sacos, que lhes restituíssem o dinheiro a cada um no seu saco, e lhes dessem provisões para o caminho. E assim lhes foi feito. 26. Eles, pois, carregaram o trigo sobre os seus jumentos, e partiram dali. 27. Quando um deles abriu o saco, para dar forragem ao seu jumento na estalagem, viu o seu dinheiro, pois estava na boca do saco. 28. E disse a seus irmãos: Meu dinheiro foi-me devolvido; ei-lo aqui no saco. Então lhes desfaleceu o coração e, tremendo, viravam-se uns para os outros, dizendo: Que é isto que Deus nos tem feito? 29. Depois vieram para Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e contaram-lhe tudo o que lhes acontecera, dizendo: 30. O homem, o senhor da terra, falou-nos asperamente, e tratou-nos como espias da terra; 31. mas dissemos-lhe: Somos homens de retidão; não somos espias; 32. somos doze irmãos, filhos de nosso pai; um já não existe e o mais novo está hoje com nosso pai na terra de Canaã. 33. Respondeu-nos o homem, o senhor da terra: Nisto conhecerei que vós sois homens de retidão: Deixai comigo um de vossos irmãos, levai trigo para a fome de vossas casas, e parti, 34. e trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espias, mas homens de retidão; então vos entregarei o vosso irmão e negociareis na terra. 35. E aconteceu que, despejando eles os sacos, eis que o pacote de dinheiro de cada um estava no seu saco; quando eles e seu pai viram os seus pacotes de dinheiro, tiveram medo. 36. Então Jacó, seu pai, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; José já não existe, e não existe Simeão, e haveis de levar Benjamim! Todas estas coisas vieram sobre mim. 37. Mas Rúben falou a seu pai, dizendo: Mata os meus dois filhos, se eu to não tornar a trazer; entrega-o em minha mão, e to tornarei a trazer. 38. Ele, porém disse: Não descerá meu filho convosco; porquanto o seu irmão é morto, e só ele ficou. Se lhe suceder algum desastre pelo caminho em que fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza ao Seol.
43
1. Ora, a fome era gravíssima na terra. 2. Tendo eles acabado de comer o mantimento que trouxeram do Egito, disse-lhes seu pai: voltai, comprai-nos um pouco de alimento. 3. Mas respondeu-lhe Judá: Expressamente nos advertiu o homem, dizendo: Não vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco. 4. Se queres enviar conosco o nosso irmão, desceremos e te compraremos alimento; mas se não queres enviá-lo, não desceremos, porquanto o homem nos disse: Não vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco. 6. Perguntou Israel: Por que me fizeste este mal, fazendo saber ao homem que tínheis ainda outro irmão? 7. Responderam eles: O homem perguntou particularmente por nós, e pela nossa parentela, dizendo: vive ainda vosso pai? tendes mais um irmão? e respondemos-lhe segundo o teor destas palavras. Podíamos acaso saber que ele diria: Trazei vosso irmão? 8. Então disse Judá a Israel, seu pai: Envia o mancebo comigo, e levantar-nos-emos e iremos, para que vivamos e não morramos, nem nós, nem tu, nem nossos filhinhos. 9. Eu serei fiador por ele; da minha mão o requererás. Se eu to não trouxer, e o não puser diante de ti, serei réu de crime para contigo para sempre. 10. E se não nos tivéssemos demorado, certamente já segunda vez estaríamos de volta. 11. Então lhes disse Israel seu pai: Se é sim, fazei isto: tomai os melhores produtos da terra nas vossas vasilhas, e levai ao homem um presente: um pouco de bálsamo e um pouco de mel, tragacanto (goma odorífica) e mirra, nozes de fístico e amêndoas; 12. levai em vossas mãos dinheiro em dobro; e o dinheiro que foi devolvido na boca dos vossos sacos, tornai a levá-lo em vossas mãos; bem pode ser que fosse engano. 13. Levai também vosso irmão; levantai-vos e voltai ao homem; 14. e Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia diante do homem, para que ele deixe vir convosco vosso outro irmão, e Benjamim; e eu, se for desfilhado, desfilhado ficarei. 15. Tomaram, pois, os homens aquele presente, e dinheiro em dobro nas mãos, e a Benjamim; e, levantando-se desceram ao Egito e apresentaram-se diante de José. (O 6° é chamado) 16. Quando José viu Benjamim com eles, disse ao despenseiro de sua casa: Leva os homens à casa, mata reses, e apronta tudo; pois eles comerão comigo ao meio-dia. 17. E o homem fez como José ordenara, e levou-os à casa de José. 18. Então os homens tiveram medo, por terem sido levados à casa de José; e diziam: por causa do dinheiro que da outra vez foi devolvido nos nossos sacos que somos trazidos aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome por servos, tanto a nós como a nossos jumentos. 19. Por isso eles se chegaram ao despenseiro da casa de José, e falaram com ele à porta da casa, 20. e disseram: Ai! senhor meu, na verdade descemos dantes a comprar mantimento; 21. e quando chegamos à estalagem, abrimos os nossos sacos, e eis que o dinheiro de cada um estava na boca do seu saco, nosso dinheiro por seu peso; e tornamos a trazê-lo em nossas mãos; 22. também trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento; não sabemos quem tenha posto o dinheiro em nossos sacos. 23. Respondeu ele: Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de vosso pai, deu-vos um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro chegou-me às mãos. E trouxe-lhes fora Simeão. 24. Depois levou os homens à casa de José, e deu-lhes água, e eles lavaram os pés; também deu forragem aos seus jumentos. 25. Então eles prepararam o presente para quando José viesse ao meio-dia; porque tinham ouvido que ali haviam de comer. 26. Quando José chegou em casa, trouxeram-lhe ali o presente que guardavam junto de si; e inclinaram-se a ele até a terra. 27. Então ele lhes perguntou como estavam; e prosseguiu: vosso pai, o ancião de quem falastes, está bem? ainda vive? 28. Responderam eles: O teu servo, nosso pai, está bem; ele ainda vive. E abaixaram a cabeça, e inclinaram-se. 29. Levantando os olhos, José viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e perguntou: É este o vosso irmão mais novo de quem me falastes? E disse: Deus seja benévolo para contigo, meu filho. (O 7° é chamado) 30. E José apressou-se, porque se lhe comoveram as entranhas por causa de seu irmão, e procurou onde chorar; e, entrando na sua câmara, chorou ali. 31. Depois lavou o rosto, e saiu; e se conteve e disse: Servi a comida. 32. Serviram-lhe, pois, a ele à parte, e a eles também à parte, e à parte aos egípcios que comiam com ele; porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, porquanto é isso abominação aos egípcios. 33. Sentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura, e o menor segundo a sua menoridade; do que os homens se maravilhavam entre si. 34. Então ele lhes apresentou as porções que estavam diante dele; mas a porção de Benjamim era cinco vezes maior do que a de qualquer deles. E eles beberam, e se regalaram com ele.
44
1. Depois José deu ordem ao despenseiro de sua casa, dizendo: Enche de mantimento os sacos dos homens, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada um na boca do seu saco. 2. E a minha taça de prata porás na boca do saco do mais novo, com o dinheiro do seu trigo. Assim fez ele conforme a palavra que José havia dito. 3. Logo que veio a luz da manhã, foram despedidos os homens, eles com os seus jumentos. 4. Havendo eles saído da cidade, mas não se tendo distanciado muito, disse José ao seu despenseiro: Levanta-te e segue os homens; e, alcançando-os, dize-lhes: Por que tornastes o mal pelo bem? 5. Não é esta a taça por que bebe meu senhor, e de que se serve para adivinhar? Fizestes mal no que fizestes. 6. Então ele, tendo-os alcançado, lhes falou essas mesmas palavras. 7. Responderam-lhe eles: Por que falo meu senhor tais palavras? Longe estejam teus servos de fazerem semelhante coisa. 8. Eis que o dinheiro, que achamos nas bocas dos nossos sacos, to tornamos a trazer desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor prata ou ouro? 9. Aquele dos teus servos com quem a taça for encontrada, morra; e ainda nós seremos escravos do meu senhor. 10. Ao que disse ele: Seja conforme as vossas palavras; aquele com quem a taça for encontrada será meu escravo; mas vós sereis inocentes. 11. Então eles se apressaram cada um a pôr em terra o seu saco, e cada um a abri-lo. 12. E o despenseiro buscou, começando pelo maior, e acabando pelo mais novo; e achou-se a taça no saco de Benjamim. 13. Então rasgaram os seus vestidos e, tendo cada um carregado o seu jumento, voltaram à cidade. (Maftir) 14. E veio Judá com seus irmãos à casa de José, pois ele ainda estava ali; e prostraram-se em terra diante dele. 15. Logo lhes perguntou José: Que ação é esta que praticastes? não sabeis vós que um homem como eu pode, muito bem, adivinhar? 16. Respondeu Judá: Que diremos a meu senhor? que falaremos? e como nos justificaremos? Descobriu Deus a iniqüidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achada a taça. 17. Disse José: Longe esteja eu de fazer isto; o homem em cuja mão a taça foi achada, aquele será meu servo; porém, quanto a vós, subi em paz para vosso pai.
3°. Reflexão
A ascensão de José: Gn.41. Na idade de trinta anos, após treze anos provações e preparo, (Gn. 37:2 e 41:46), D-us propiciou a José o ápice terreno, Primeiro Ministro do Egito (Mitzraim) um lugar impar, era uma forma de honrá-lo, como premio de sua humildade, fé e dedicação. Podemos ver que os caminhos que o levaram a presença do Faraó foram diversos, sendo que na grande maioria íngremes. A providência Divina foi tremenda, pois o sonho do Faraó pôs aprova a competência dos seus magos, derrubando a todos. Quando não havia mais ninguém ao alcance do Faraó, eis que surge uma luz no túnel, o copeiro lembrou-se do companheiro de cela, José, que havia interpretado seu sonho quando na prisão. Era a óbvio que Faraó, pela sua preocupação em achar entendimento para o sonho, determinou a vinda de José até ele. Podemos ver e entender a humildade de José. Ele se despiu de si e atribuiu toda honra e glória das interpretações de sonhos unicamente a operação Divina.
Pelas leituras anteriores, podemos ver que José havia sonhado muito, mas não tinham se realizado nada de seus sonhos, porém José era temente a D-us, confiava que o Eterno não o deixaria de mãos vazias. Até parece-nos um paradoxo, sonhar bons sonhos e na realidade sua vida viver de pesadelo em pesadelo. O importante de tudo é que apesar dos pesares José não tinha perdido a fé, ele continuava a confiar firmemente no Eterno.
D-us estava com José, que após ouvir os sonhos de Faraó, por inspiração Divina deu a interpretação como sendo sete anos de fartura pelas boas colheitas seguidas de sete anos de seca e conseqüente fome. Após a interpretação, José apontou a solução como conviver os sete anos de miséria alimentar. De forma vaga falou ao Faraó que deveria indicar alguém para cuidar de toda a administração, ou seja, desde os sete anos de fartura até os sete anos de dificuldade, mas não sugeriu quem deveria ser o escolhido.
Como num piscar de olhos Faraó nomeou a José como o segundo homem do Egito (Mitzraim), ou seja, algo como o Primeiro Ministro. A prova maior da autoridade José sobre o Egito (Mitzraim) foi o anel dado por Faraó como símbolo de autoridade, pois com este anel José selaria seus atos de mando, era o símbolo da real autoridade. A importância governamental de José era tanta que o Faraó determinou que todos se ajoelhassem frente a José como a mesma reverencia como a ele, Faraó. Por questões sociais, Faraó deu-lhe um nome egípcio, Zafnate-Paneã. Propiciou uma esposa, Asenate, filha do sacerdote de On (Heliópolis), desta forma José tornou-se membro da alta nobreza egípcia. Na linda história de José podemos notar que em nenhum momento ele se ensoberbeceu, nem se aproveitou de sua posição para facilitar ou dificultar a vida de seus semelhantes, antes porém, agiu com justiça e altivez.
A primeira atitude administrativa de José foi visitar todo Egito (Mitzraim) como forma de conhecê-lo para então fazer um planejamento sensato.
Uma vez casado, vieram os filhos, foram Manassés (o que faz esquecer) demonstra a virtude de José, esquecer o que para traz ficou, o seguinte Efraim (fértil). Com certeza com as bênçãos de D-us, José colocou os nomes nos filhos segundo o que procedia do seu coração.
Em buscas não só na história, mas nas críticas literárias, encontramos autores que põem em cheque a atitude de Faraó, pelo fato de ter designado como primeiro ministro um escravo estrangeiro, tudo bem, materialmente falando tudo é possível, mas quem pode contrapor a vontade do Eterno? Operando Eu, quem impedirá? (Is. 43:13). A verdade bíblica é que o Espírito de D-us estava com José, logo a sabedoria Divina estava nele e ele como servo fiel obedecia de pronto o mandar de D-us.
O encontro de José com seus irmãos: Segundo o texto, a fome também chegou até a casa de Yakov, e a saída era ir buscar alimento no Egito (Mitzraim), como ponto alto lê-se sobre o encontro dos irmãos de José com o Primeiro Ministro, José. Acredita-se que tenham se curvado a ele, pois era a segunda autoridade do Egito (Mitzraim). Lemos que José reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram. Salienta que neste encontro os sonhos de José se cumpriram. Certamente José queria ver como estava o espírito de seus irmão, teriam eles mudado a forma de viver? Estariam eles arrependidos de o terem vendido?
Os dias de prisão (3) serviu para “refrescar” suas consciências, prova disto é o diálogo entre eles (Gn. 42:21, 22). A prova final de arrependimento dos irmãos é quando José detém Benjamim e liberta os demais, mas o que José assiste é que todos são coesos em defesa de Benjamim.
É uma prova de que o tempo os haviam se regenerado.
Como relatei no início da parashah anterior, a história de José é única, sem igual, pois José venceu pelo fato de crer, ter fé e ser justo pela graça do Eterno D-us.
Uma boa lição para por em prática na nossa vida.
Shabat Shalom!
Moshe ben Mazal







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