Parashah – BEHAR/B’CHUQOTAI

16 de Maio de 2009 / 22 de Iyyar de 5769.

Parashah – BEHAR (I) / B’CHUQOTAI (II) – Lv.25:1 – 26:1/ Lv.26:3- 27:33

Haftarah – Jr.32:6 – 27 (I) / Jr.16:19-17:14 (II)

Todo o sétimo ano desde o ano da criação do mundo é um ano sabático (Shemitah), durante o qual a terra devia estar em repouso. Os produtos que cresciam espontaneamente no campo eram socializados e pertenciam a todos: ao servo, empregado, estrangeiro e mesmo ao gado e aos animais selvagens da terra.

A palavra Shemitah expressa a ação de largar e soltar. No ano da Shemitah o credor renunciava de cobrar o que lhe deviam (Dt.9:21). Por outra parte, todos eram obrigados a emprestar ao necessitado, dinheiro e alimentos sem juros (Lv.25:37), assim se mantinha o equilíbrio da fortuna.

Após a conquista da Transjordânia e da Terra Prometida pelos israelitas o território foi repartido entre o povo de Israel. A divisão teve lugar primeiramente em proporção ao número de pessoas das tribos, e depois entre as famílias por meio dos Urim e Tumim. Esta repartição era feita para nunca mais variar; porém, no decorrer dos anos, como é natural, não podiam deixar de haverem altas e baixas entre as diversas famílias, pelas diferenças de inteligência, trabalho, saúde, número de crianças, ou pelas enfermidades ou calamidades. Mas a Lei de Moisés remediou as causas do desequilíbrio de fortuna com estas duas leis: o dinheiro de resgate das terras alienadas e o jubileu. Se o resgate das terras vendidas não podia se efetuar, no fim de quarenta e nove anos a terra voltava ao seu primeiro proprietário. Nas vendas dos terrenos, levava-se em conta o número de anos que faltava para o próximo jubileu, a fim de fixar o preço. Assim, as vendas das terras não eram outra coisa senão um tipo de arrendamento.

Antes de socorrer o pobre, a Lei nos obriga a assistir aquele que está ameaçado de cair na pobreza. “Se teu irmão se tornar pobre e suas posses se enfraquecerem junto a ti, sustenta-o. Ele viverá contigo, seja estrangeiro ou peregrino” (Lv.25:35). De que maneira se deve ajudar aqueles que declinam e estão a cair? Com uma prestação sem juros, pois emprestar é melhor que dar. Não foi dito ‘ feliz é aquele que dá ao pobre ‘, mas sim “feliz (bem-aventurado) é aquele que se conduz inteligentemente com o pobre” (Salmo 41:2). A caridade deve-se fazer com inteligência e delicadeza, usando-se respeito e consideração com o humilde, e estudando-se a maneira de dar.

A Torah não proibiu completamente aos israelitas, terem escravos. Podemos atribuir a causa ao estado social dos povos da antiguidade, que não permitia uma abolição total e imediata. Entretanto, a Lei de Moisés quebrou os principais anéis da escravidão, com as suas imposições em favor dos escravos. O tempo do israelita, ficar como escravo tinha um limite de seis anos (Ex.21:1-11), além disso, ele era tão protegido pela lei, e sua situação era tão boa que nossos sábios disseram: “Quem adquirir um escravo hebreu é o mesmo que comprar um dono para si mesmo”. O escravo pagão não tinha tempo determinado para sua escravidão, mas a Torah estendia também sobre a sua proteção. A Lei decretou pena capital contra o patrão que ocasionava a morte de seu escravo, mesmo pagão. O escravo pagão recobrava a liberdade quando seu patrão lhe provocava até mesmo a perda de um dente (Ex.21:20 – e 27). Por fim, os escravos pagãos eram bem tratados pela benevolência que os divinos preceitos recomendam aos israelitas.

“Se não me ouvirdes e não fizerdes todos estes preceitos; e se os meus estatutos rejeitardes, e se a vossa alma enfadar dos meus juízos, para não fazer todos os meus preceitos, para violardes a minha aliança”. Lv.26:14,15.

Esta parte da parashah é chamada comumente de Tochalah, ou seja, admoestação, pois fala das bondades que nos virão pela submissão aos preceitos da Torah, e dos males que virão pela desobediência a estes. Tudo o que Moisés predisse, aconteceu. Nossos ancestrais podiam viver felizes e tranqüilos em suas terras, porém eles abandonaram estas leis e em lugar de unir-se, se dividiam; em lugar de adorar ao Eterno, o D-us Único, se deixaram arrastar pela idolatria e adorarem ouro, prata e outros bens fungíveis e não fungíveis. Em vão os profetas advertiram, eles não escutaram. Foi então que as desgraças chegaram. O Templo foi destruído e a dispersão teve lugar.

“Também eu farei isto a vós: porei sobre vós o terror, a tísica, e a febre ardente que fazem desesperar e atormentar a alma; e semeareis em vão vossa semente e a comerão vossos inimigos”. Lv.26:16.

Este versículo quer dizer que a semente não germinará ou então se crescer, a comerão os inimigos.

“E a vós espalharei entre as nações e desembainharei detrás de vós a espada; e será vossa terra assolada, e vossas cidades se tornarão arruinadas”. Lv.26:33.

Da mesma forma como D-us cumpriu o castigo anunciado neste trecho, foi realizada também a sua promessa que diz: “Também ainda assim não os rejeitarei quando estiverem na terra de seus inimigos, nem me enfadarei deles para os consumir e violar assim a minha aliança com eles: pois Eu sou o Eterno, seu D-us” (vs. 44). E D-us foi fiel à sua promessa, e em nossos dias se deu o grande milagre. O sol da liberdade brilhou para nós. Agora, mais do que nunca, devem-se fazer ouvir as primeiras palavras desta parashah: “Se andares nos meus estatutos e guardares os meus mandamentos e os cumprirdes, dar-vos-ei as vossas chuvas há seus tempos e a terra dará os seus produtos: e comereis o vosso pão até vos fartar e habitarei seguros em vossa terra. Darei paz na terra, e vos deitareis e ninguém vos amedrontará … e não passará a espada pela vossa terra.”.

O final da parashah, ou seja, os trinta e três versículos do capítulo vinte e sete tratam dos votos que faz a pessoa, prometendo pagar o valor de um ser humano, de um animal ou de uma coisa, cuja quantia ia para a despesa da conservação do Templo. O valor de um homem da idade de vinte até sessenta anos, era calculado em cinqüenta siclos de prata, e de uma mulher, em trinta siclos. . . (vs. 3-8). Ao envelhecer, o valor do homem diminui mais em proporção à mulher, pois os antigos diziam “um velho na casa é uma benção, porém uma velha é um tesouro”. E se fosse pobre quem fez o voto, pagava segundo as posses lhe permitissem, deixando para si a alimentação por um mês, vestimentas por um ano, cama, sapatos, etc.

Aprendemos nestes ensinamentos que D-us não deseja sacrifícios humanos, pois a oferta da pessoa se fará com o seu valor em prata e não com almas conforme o fez Jefteh (Jz.11:39).

Shabat Shalom!

MSc. Moshe ben Mazal

 


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