Parashah – ACHAREI / K’DOSHIM

2 de Maio de 2009 / 8 de Iyyar de 5769.

 

Parashah – ACHAREI / K’DOSHIM (Mechubarot)

 

ACHARÉI – Lv.16:1- 18:30

Haftarah – Ez.22:1 – 19

 

Esta parashah trata principalmente da cerimônia do Yom Kipur. O ritual de Yom Kipur comportava a purificação do Tabernáculo e de tudo o que havia nele; o altar, (vers.16, 17, 20), a fim de eliminar as impurezas de que estava contaminado, pois o Templo, estando no meio da congregação, impregnava-se das impurezas de todo o povo, transmitidas por ele quando expiava por meio das oferendas de sacrifícios, as faltas cometidas; por conseguinte, esta operação era necessária.

 

Um segundo ato fazia-se para expiar as faltas do sacerdote, de sua família, e as da comunidade Israelita. Aarão transmitia os pecados e delitos da congregação, ao cabrito expiatório por meio da ’semichah’ (por a mão sobre o animal) após a qual o animal era conduzido ao deserto e jogado de sobre um monte forte e duro (azazel). O ritual dos dois cabritos tem uma analogia com o da purificação do leproso, onde um passarinho era sacrificado, e o outro, concentrando o mal do leproso era solto para que o levasse consigo.

 

Os poetas Sefaradim da época de ouro da Espanha, imaginando o esplendor do sumo sacerdote em seu serviço de Yom Kipur, no Templo, o descreveram com lindos versos, os quais foram introduzidos no ritual das orações deste dia. Ibn Gabirol escreve: “Bem-aventurados os olhos que viram estas coisas. Bem-aventurados os olhos que viram os Levitas e o povo atento à glória Divina resplandecendo com viva luz e o Pontífice anunciando ao povo que acorria a Ele: De todos os vossos pecados, perante o Eterno, estareis limpos. Bem-aventurados os olhos que viram os muros do santuário amado, a glória Divina irradiando como luminosa claridade, e o Pontífice distribuindo a palavra santa como orvalho benfazejo, cercado dos sacerdotes e do povo, semelhantes às palavras de oliveira, acompanhando-o com a exaltação de um rei”. Rabi Yehudah Halevi escreve: ‘Bem-aventurados os olhos que viram cores deslumbrantes e a Glória Divina pairando sobre os aflitos pelo jejum, e o sumo sacerdote proclamando o perdão em nome do Altíssimo e seu aspecto semelhante a um anjo do Eterno.

 

O Talmude interpreta as palavras ‘diante do Eterno’ (vers.30) como se dissesse “contra o Eterno”. Com isso nos quer dizer que o ‘Kipur’ anula as faltas do homem contra D-us, e não as cometidas contra os seus semelhantes, a não ser que repare o mal feito a eles, e lhes peça desculpas (perdão).

 

“Se ofendeis vosso companheiro, implorai o seu perdão; se ele vos rechaçar, fazei-o até três vezes; e se mesmo assim ele se recusa a perdoar, vós fizestes o vosso dever” (Yoma 87).

 

“O homem que não perdoa quando se lhe pede para faze-lo, até três vezes, é considerado ‘achzari’ (cruel)”.

E guardareis os meus estatutos, e os meus juízos, cumprindo os quais, o homem viverá por eles, Eu sou o Eterno (vers.5)

 

A ciência e a virtude não são o privilégio de ninguém, seja este pequeno ou grande, rico ou pobre, israelita ou não, pois que o versículo diz ‘o homem viverá por eles’. O pagão virtuoso e instruído tem tanto mérito quanto o Cohen Gadol (sumo sacerdote) descendente de Aarão. Um sábio, mesmo manzer (espúrio), é mais considerado que o Cohen Gadol ignorante. (Bamid. R. 6).

 

No livro de Salmos 118:20 está escrito ‘Esta é a porta do Eterno, por ele entrarão os justos’. Não diz: os sacerdotes, os levitas ou os israelitas entrarão, porém os justos, sem distinção de raça e culto.

 

O capítulo 18 trata principalmente das uniões proibidas por causa de incesto. Nota-se que a filha não foi mencionada entre estas proibições, porém é evidente que se a nora e a neta foram incluídas no caso, subtende-se naturalmente, que a filha também o está. O crime de incesto tem diferentes nomes segundo o grau de parentesco: chama-se ‘zimmah’ (vers.17 e no cap.20:14), ‘tebel’ (cap.20:12), ‘héssed’ (cap.20:17), ‘nidah’ (cap.20:21), ‘aririm’ (cap.20:20,21).

 

Um homem pode casar-se: com a sobrinha, seja esta filha de seu irmão ou de sua irmã; com a irmã da mulher quando esta não vive mais; e a Torah manda tomar a sua cunhada por mulher quando o marido, isto é, o seu irmão morre sem deixar filhos.

 

Acreditamos que no comentário supra, enriquecido de dados fornecidos por fontes fidedignas, vem clarear dúvidas que muitas vezes tem pairado sobre nossas mentes e que hoje, se não foi totalmente esclarecida, acredito que serve ao menos para levantar questões que poderão incentivar a busca de mais informações, para dirimir de vez qualquer dúvida.

 

 

Parashah – K’DOSHIM – Lv.19:1- 20:27

Haftarah – Ez.20:1- 20

 

Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e lhes dirás: Santo sereis, pois santo sou Eu, o Eterno vosso D-us. Lv.19:2[/i].

 

Para alcançar a plenitude da santidade exigida por D-us, é imposto um rol de atitude mínima, tais como: temor aos pais, a guarda do Sábado, a não adoração aos ídolos (para servi-los), e …. .

 

Entendo eu que tal pedido Divino ainda é válido. Para alcançarmos a santidade suficiente de igualarmos ao Eterno, teremos que atentarmos e vivermos tal qual exigido de nossos antepassados. Sei que não é fácil nos dias atuais, como filho sermos tementes aos nossos pais e como pais, passarmos a idéia a nossos filhos que devem temê-los para alcançar a santidade exigida por D-us.

 

A questão do Sábado é outro ponto de difícil alcance. Quem não tem compromissos aos sábados? Pois a semana inteira corre em real competição com aqueles estão direta ou indiretamente ao nosso lado, seja qual for nossa atividade, e não temos tempo para nada, daí acontece que tudo aquilo que entendemos não ser de primeira linha, deixamos para fazê-la no Sábado, deixando clara que o Sábado é o dia das coisas supérfluas, quando na realidade Sábado é o dia mais importante não só no ponto de vista divino, mas também no aspecto que conclusão de nossa tarefa semanal, exigindo de nós uma auto avaliação. Sábado é um dia de descanso físico para que ponhamos carga em nossas ‘baterias’ no espiritual, para termos momentos junto aos filhos, rememorando histórias e fatos ligados ao nosso passado. Para isto devemos em primeiro lugar nos prepararmos, e as formas de tal preparação é fazer-nos presente as atividades na sinagoga, apossarmos de tais fatos através do exame de literatura adequada, reunindo-se com outros membros do ishuv para trocarmos idéias sobre determinados fatos que muitas vezes deixam dúvidas, não pelo conteúdo em si, mas pelos milagres acontecidos e que a pequinês de nossa fé não permite entendermos realmente o que aconteceu ou porque aconteceu. Depois de estarmos relativamente esclarecidos, podemos dar cumprimento a ordem de D-us, para inculcar (Dt.6:7) em nossos filhos os mandamentos e ordenanças do Eterno. Desta forma, sem dúvida alguma nossos filhos irão fazer uma verdadeira conversão de seu comportamento e atitudes, contribuindo para a implantação de uma paz duradoura em nossos lares.

 

Uma outra questão é a idolatria. Idolatria não quer dizer apenas estarmos de joelhos frente a imagem de deuses feitos por mãos humanas, ou ao redor de uma mesa de centro espírita. Idolatria diz respeito também a muitos outros pontos, como escravidão por uma novela, o dinheiro, a posição social, os filhos, o carro, a casa de campo, nosso trabalho e tantos outros fatos que nos levam a consumir nosso tempo, sem dar oportunidade, de um minuto se quer ao dia, elevar nossos pensamentos ao Eterno. Na realidade devemos dar muito mais tempo, digamos, o dízimo do tempo diário que nosso D-us nos dá.

 

O tema Santificação não se esgota nestas poucas linhas, muito tem a ser feito, pesquisado, para alcançarmos vidas dignas de estarmos na presença do Eterno, de buscarmos a santidade para tornar-nos Santos como Ele é. Meditemos seriamente na expressão: Sejamos santos todos os dias, todo dia.

 

Um Shabat Shalom !

 

Ms. Moshe ben Maza

 


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