Morte e sepultura de Sarah

O principal significado deste capítulo reside no fato de que ao compara Abraão a sepultura para Sarah demonstrou que acreditava que seus descendentes herdariam Canaã. Não enviaria o corpo ao sepulcro familiar na Mesopotâmia, pois nesse caso seu túmulo não estaria na residência permanente dos descendentes.

A primeira propriedade que os patriarcas adquiriram em Canaã foi um cemitério. Ali foram sepultados Abraão, Itzak, Rebeca e Lia. Jacó, estando no Egito, expressou o desejo de ser sepultado em Hebron (49:29- 32); seu desejo foi acatado e seus filhos realizaram uma peregrinação especial aquele lugar. Por esta causa Macpela veio a ser o centro da terra prometida; o símbolo da posse da terra pelo povo escolhido.

Todos os pormenores do negócio da compra do lote de Macpela corresponde exatamente às leis já conhecidas dos heteus; mencionam-se as árvores, pesa-se a prata segundo as medidas da época e as testemunhas anunciam a compra na porta da cidade. O costume heteu era enterrar os membros da família em uma cova ou em perfurações feitas na rocha. Atualmente se encontra uma mesquita muçulmana no local que tradicionalmente se atribui à cova de Macpela.

Abraão procura esposa para Itzak

Chegada à hora em que Itzak devia casar-se, ocorreu na vida de Abraão outra oportunidade para exercitar sua fé. Segundo os costumes daquele tempo, cabia a Abraão fazer os arranjos para o casamento de seu filho.

Era muito importante que Itzak, como herdeiro da promessa, se casasse com uma mulher que valorizasse o pacto de D-us. Abraão queria que a futura esposa de Itzak fosse de sua parentela e não uma das cananéias pagãs. Abraão não enviou Itzak à Mesopotâmia provavelmente porque não quis que seu filho fosse tentado a ficar ali e abandonar a terra prometida. Portanto, enviou para lá seu criado mais antigo e fiel, que provavelmente era Eliêzer (15:2). Nas palavras de Abraão diz a seu servo, nota-se a confiança implícita do patriarca em D-us: “Ele enviará o seu anjo diante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho” (24:7). A história é tão importante, que no livro de Gênesis ocupa o capitulo mais longo.

Podemos tirar algumas lições praticas do capitulo 24:

- É responsabilidade dos pais procurar que seus filhos se casem no círculo da mesma profissão de fé e de acordo com a vontade do Eterno.

- A oração deve ocupar um lugar importante ao cominar um matrimônio. Há amplos indícios de que Abraão e Itzak oraram ao Eterno, pedindo a direção e vida longa.

A prece do mordomo pedindo direção é muito instrutiva. Propôs um sinal que em si mesmo demonstraria que a jovem era uma pessoa digna. Rebeca era, em realidade, melhor do que ele havia pedido. Não era somente hospitaleira e bondosa, mas extraordinariamente bela e pura. Além disso, era uma mulher de caráter, que não vacilou quanto a fazer a vontade de D-us (24:58). Creu e de boa vontade se ofereceu a ir para um país distante a fim de casar-se com um homem ao qual nuca tinha visto. Quando Rebeca divisou o que seria seu futuro lar, Itzak encontrava-se no campo meditando, talvez orando para que D-us desse êxito a seu servo na missão encomendada. Ela aproximou-se de Itzak com humildade e respeito (24:65). Itzak recebeu-a com igual cortesia e respeito dando-lhe o lugar de honra na tenda de sua mãe. Casaram-se e Itzak amou-ª podemos afirmar que foi um casamento planejado no céu.

A Morte de Abraão

O fato de que Abraão, cujo corpo já estava “amortecido”, tenha podido gerar mais seis filhos com Quetura indica que recebeu novos poderes procriadores ao gerar Itzak. Os filhos dessa união vieram a ser ascendentes de algumas tribos árabes, as quais se radicaram mormente no norte e noroeste da Arábia. Assim Abraão foi pai de muitas nações. O último ato de Abraão foi entregar a Itzak tudo quanto tinha, fazendo-o desse modo herdeiro das promessas.

Abrão morreu aos 175 anos. “Foi congregado ao seu povo; e sepultaram-no Itzak e Ismael. . . na cova de Macpela (25:8). Posto que o povo de Abraão houvesse sido sepultado na Mesopotâmia, a frase “Foi congregado ao seu povo” não se refere ao local de sua sepultura, mas ao encontro com seus antepassados na habitação dos espíritos dos mortos, chamado Seol. Isto nos ensina que existia a esperança da imortalidade neste ponto da história bíblica

Em termos gerais, Abraão foi o maior, o mais puro e o mais venerável dos patriarcas. Era “amigo de D-us” e “pai dos adoradores do Eterno”, generoso, desprendido, um caráter magnífico e um homem cuja fé em D-us não tinha limites, e tudo isto, na vizinhança e ambiente de Sodoma e Gomorra.

Shabat Shalom!


Envie um comentário

  • Categorias

  • Arquivos

    • Leitura