Leonardo Boff: Igreja Católica: uma grande seita?
Por Malkhut em 2/set/2007 em Ecumenismo
Bento XVI está imprimindo um curso perigoso à Igreja Católica, provocando severas críticas não apenas de teólogos, mas de cardeais, de inteiros episcopados como o da França, de grupos de bispos da Alemanha e, espantosamente, de bispos da romaníssima Itália, além de outros líderes religiosos e de organismos ecumênicos mundiais.
Desde seu tempo de cardeal, tem tratado os grupos progressistas e os teólogos da libertação a bastonadas e com pele de pelica os conservadores e tradicionalistas, seguidores do bispo Léfèbvre, excomungado em 1988 e que, à revelia de Roma, ordenou bispos e padres. O Vaticano acabou por acatar seus seminários onde formam o clero no rito tradicionalista.
E, agora, acaba de atender a uma de suas demandas maiores: voltar à missa em latim do Concílio de Trento (1545-1563) com todas as limitações históricas, hoje inaceitáveis. Aí se reza “pelos pérfidos judeus” para que aceitem Jesus como Messias.
O mais grave ocorreu logo em seguida com a publicação de cinco questões sobre a Igreja, oriunda da Congregação da Doutrina da Fé e aprovada pelo papa, na qual se repete o que o então cardeal J. Ratzinger, em 2000, enfatizava no documento Dominus Jesus, verdadeiro exterminador do futuro do ecumenismo: a única Igreja de Cristo subsiste somente na Igreja Católica, fora da qual não há salvação.
As demais “igrejas” não o são, pois possuem apenas “elementos eclesiais” e a Igreja Ortodoxa, tida como uma expressão da catolicidade, foi rebaixada a simples igreja paticular. Estas posições reacendem a guerra religiosa quando todos estão buscando a paz, cuja realização é enfraquecida pela Igreja.
A Igreja está se isolando mais e mais de tudo. Sua base social são principalmente os movimentos, medíocres no pensamento e subservientes às autoridades; preferem a aeróbica de Deus a se confrontar com os problemas da pobreza e da injustiça. Uma Igreja se comporta como seita, segundo clássicos como Troeltsch e Weber, quando tem a pretensão absolutista de deter sozinha a verdade, quando se nega ao diálogo, rejeita o trabalho ecumênico e manifesta crescente autofinalização.
Nesse sentido, cabe lembrar que o Vaticano não assinou em 1948 a Carta dos Direitos Humanos, se recusou a entrar no Conselho Mundial de Igrejas porque ela se julga acima e não junto das demais igrejas, negou-se a apoiar a convocação de um Concílio universal de todos os cristãos na perspectiva da paz mundial, sob o pretexto de que cabe exclusivamente a Roma fazê-lo, proibiu a compra dos cartões do Unicef destinados à infância carente, alegando que esta entidade favorecia o uso de preservativos.
Ao lado disso, cresce o patrimônio imobiliário da Igreja que, segundo pesquisas (Adista 2/6/07), chega a 1/5 de todo o patrimônio italiano e romano. A especulação imobiliária e financeira rendeu ao Vaticano 1,47 bilhão de euros entre 2004-2005.
A estratégia doutrinal do atual papa é a do confronto direto com a modernidade, num pessimismo cultural inadmissível em alguém que deveria saber que o Espírito não é monopólio da Igreja e que a salvação é oferecida a todos. Não causaria espanto se alguns mais radicais, animados por gestos do atual papa tentassem um cisma na Igreja.
No século IV, quase todos os bispos aderiram à heresia do Arianismo (Cristo apenas semelhante a Deus). Foram os leigos que salvaram a Igreja, proclamando Jesus como Filho de Deus. É urgente atualizar esta história, dada a estreiteza de mente e o vazio teológico reinante nos altos escalões da Igreja.
Leonardo Boff, da Comissão da Carta da Terra, é teólogo.
Fonte: O Povo







parabens pelo exposto na vossa pagina, poís tirou-me
as dúvidas que tinha quanto a visita do papa neste pais, gostaria de saber, como já foi expeculado, que existe uma lista de igrejas que assinaram documento que estabelece submissão a igreja de roma, se isso realmente existir estaremos entrando em uma nova faze de inquisição moderna, talvez até pior que a primeira.
abraços
Carlos.
carlos alberto de oliveira | 29/set/2007 | Responder
Leonardo Boff não passa de um herege. Devia ser honeste e declarar que há muito deixou de ser Católico. Herege safado!
Hélio | 28/jan/2008 | Responder
Amigos.
Sou fã de Leonardo Boff desde que tomei contato com sua literatura, em especial o livro “Igreja Carisma e Poder”.
Então fazia um curso de mestrado em Teologia e esse livro nos foi recomendado.
Desde então passei a admirar Leonardo Boff e antipatizar-me com seu algoz, o então Cardeal Ratzinger (atual Bento XVI), que, sem mais outra coisa a não ser inveja de ser tal e qual Boff é, impôs-lhe, sem motivo aparente, o famigerado “Silêncio Obsequioso”.
O que seu algoz não contava é que após o tal silêncio, a Igreja havia se desenvolvido tanto que superara a marca então estabelecida por Boff.
Veja-se as Comunidades Eclesiais de Base, o desenvolvimento dos Movimentos Carismáticos, para citar apenas alguns.
Dr. Leonardo Boff. Continue a ser quem o senhor é, sem querelar com aqueles que sabem menos que o senhor, e, s.m.j., sob censura dos doutos, imputaram-lhe sem qualquer razão o tal “silêncio”.
Não fazem conta do que perderam e do que a Igreja perdeu, silenciando-o por todo aquele fatídico tempo.
Mutatis Mutandis, foi um “Período Intertestamentário” na história da Igreja, do qual não fazemos nenhuma questão de lembrar.
Destarte, Doutor Boff, mantenha a sua cabeça erguida, altaneira, pois, em minha modestíssima opinião, quem deveria ocupar a cátedra do papado era o senhor e não quem lá está.
Creia-me. É uma questão de competência, e isso o senhor tem de sobra.
Não digo isso para atacar quem lá está. Adonai é soberano.
Mas lamento pela sua capacidade não estar sendo devidamente aproveitada.
Assim, não pare de escrever, de bradar em alta voz, porque esse dever lhe cabe.
Se o ditado diz que “uma andorinha não faz verão, o senhor faz a diferença em termos de teologia amais profunda e uma voz como a sua jamais deveria ter sido silenciada, a não ser por motivos escusos (para não usar a palavra adequada).
Continue firma na sua caminhada caríssimo Doutor Leonardo Boff e Deus haverá de iluminar o seu caminho.
Sempre e sempre.
No Shalom de Yeshua Ha Mashiach
Cleibe de Morais Palone
THM e Adv. OAB/SP 134.495
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Cleibe de Morais Palone | 26/jun/2008 | Responder