Israel, anti-semitismo e preconceitos

A cada dia nos deparamos com informações, na mídia brasileira, que são totalmente preconceituosas, desprovidas de conhecimento de causa e, principalmente, anti-Israel e com um ranço anti-semita muito acentuado. É a antiga estratégia de repetir indefinidamente a mentira, até que todos a reconheçam como verdade.

Folheando a revista Super Interessante, da Editora Abril, edição número 174, de março de 2002, página 34, num artigo assinado por Maria Fernanda Vomero, intitulado “E se… Jesus não tivesse sido crucificado?”, leio o seguinte trecho:

 
Do ponto de vista dos pesquisadores e teólogos, a crucificação não era inevitável. Havia a possibilidade de ele renunciar aos seus ideais e, assim, livrar-se da morte violenta. “Jesus não queria morrer na cruz”, diz o teólogo AntônioBogaz, professor da Escola Dominicana de Teologia, em São Paulo. “Ele aceitou morrer crucificado porque jamais abandonaria sua missão.”No tempo da crucificação, a Palestina estava sob o domínio político do Império Romano. No entanto os judeus tinham conseguido manter certos privilégios, como o direito à prática da religião e ao uso dos templos. “Quando a pregação de Jesus começou a ameaçar a ordem religiosa e política, os líderes judeus ficaram apavorados”, diz Bogaz. “Ao provocar os romanos, Jesus também colocou em risco as elites religiosas judaicas, que o entregaram para os romanos.” Caso não fosse entregue aos romanos, Jesus poderia ser acusado de blasfêmia por essa elite religiosa e talvez morresse apedrejado.
 

Ora, essa revista que teve uma tiragem de 461.498 exemplares, está ajudando o teólogo dominicano Antônio Bogaz a repetir a mesma mentira que a Igreja Católica vem repetindo por dois mil anos e que acusa aos judeus como assassinos de Cristo. Esta mentira foi a causa de dois milênios de perseguições, inúmeros holocaustos, progroms e a causa principal dos campos de concentração de Hitler. A Igreja Católica sustentou, durante séculos, que os judeus mataram Jesus. Mesmo que o Papa João Paulo II tenha revisto essa posição em 2000, com seu pedido de perdão, a Inquisição continua nos círculos católicos e está saindo para as ruas novamente, com essa onda anti-Israel e de anti-semitismo.

O Partido dos Trabalhadores (PT), cria das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica e que neste ano aliou-se à Igreja Universal do Reino de Deus (misto de macumba com pentecostalismo), de propriedade do Bispo Edir Macedo, também conserva o ranço anti-semita adquirido no tempo dos grupos de jovens, que a maioria de seus membros frequentava.

Quer dizer, ver nos palestinos vítimas e nos israelenses assassinos sanguinários não é privilégio dos meios católicos ou evangélicos, com vemos no seguinte texto, exposto no site do PT ( http://200.205.248.99/site/jornalismo/openew.asp?IDnews=11209&TPNews=3):

 
O Partido dos Trabalhadores, considerando que o conflito entre o Estado de Israel e a Autoridade Nacional Palestina vem se agravando a cada dia, condena a política do Governo de Ariel Sharon de ataques ao território Palestino e à pessoa do Presidente Yasser Arafat.Reiterando a postura de condenação a todos os atos de terrorismo e de apoio às negociações de paz, o Partido dos Trabalhadores se manifesta pelo imediato cessar fogo, com a retirada das tropas de Israel de todas as áreas sob controle da Autoridade Nacional Palestina respeitando as fronteiras anteriores à guerra de 1967.
 

Interessante é notar que eles não tocam na questão dos civis israelenses que são mortos pelos ataques de homens-bomba.

A CUT – central sindical do Partido dos Trabalhadores – também está aliado a este movimento, quando acusa o governo de Israel www.cut.org.br/Palestina.htm e, no mesmo artigo, disponibiliza uma conta bancária para angariar fundos para ajuda humanitária às “vítimas” palestinas.

Vemos, a cada dia, a propaganda anti-semita se espraiar nas páginas dos jornais, na boca dos comentaristas políticos de toda a rede de televisão do Brasil e do mundo e na internet de uma forma assuntuosa. Aos olhos de muitos, ela parece aceitável, pois está revestida de um fundo político. Mas, não nos iludamos, pois toda essa propaganda trás consigo toda a mentira perpetrada por séculos pela Igreja Católica Apostólica Romana, de que os judeus são assassinos de Cristo. Ela trás consigo os mentirosos Protocolos de Sião.

Em qualquer meio que lermos alguma notícia sobre o Oriente Médio, vemos todas as mentiras, que durante séculos foram motivos para assassinar judeus, para relegar os judeus aos progroms, para queimar judeus na Inquisição. Não vamos ser, também, enganados, como estão todos os que acreditam nestas mentiras. E vamos fazer o necessário para que deixem de mentir a nosso respeito, a respeito do Estado de Israel.


1 Comment(s)

  1. O artigo citado da revista Super Interessante pode estar impreciso, mas não tem nenhum teor anti-semita. Pelo menos na forma em que é exposto.

    josé kirschbaum | 31/ago/2007 | Responder

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