Cristianismo: de Paulo de Tarso a João Paulo II
Por Malkhut em 1/set/2001 em História
A seita criada por Jesus em Jerusalem sempre foi pequena e não era aceita entre os judeus, que a consideravam ofensiva e os seus seguidores eram considerados hereges.
Um dos maiores perseguidores dos discípulos de Jesus, era Saul, originário de Tarso (cidade da Ásia Menor, hoje Turquia), que depois de participar em perseguições à seita de Jesus, disse em suas cartas que teve uma súbita mudança de opinião. Teria visto Jesus e este o dissuadiu de perseguir os seus discípulos.
Depois desse encontro, Saul desapareceu por 13 anos, aparecendo depois como Paulo, o missionário dos gentios, introduzindo algumas idéias revolucionárias, entre elas a de uma nova religião, separada do Judaísmo. Efetuou uma série de jornadas missionárias, nas quais teve muito êxito, atraindo muitos convertidos para a nova religião.
Apesar de buscar a segurança no monoteísmo, ele procurou negar a lei judaica, dizendo que havia uma nova maneira de salvação: através do “filho de Deus”.
Com esse esforço, o Cristianismo prosperou muito, geralmente em lugares onde os não judeus eram simpáticos ao Judaísmo. Conquistou a simpatia dos romanos, que, à época do Império de Nero, sentiam a decadência de Roma, decaindo, com muita violência e imoralidade, buscavam estabilidade numa visão moral do mundo, particularmente em formas mais exóticas de adoração que a religião instituida pelo Estado Romano.
Este procura trouxe muitos cultos religiosos estrangeiros – em particular o culto de Mitra, deus persa da Luz e Sabedoria, que foi identificado com Hélios, deus grego do sol. Este culto foi tão popular que os romanos nomearam o domingo em honra de Mitra.
Com o costume romano de roubar os deuses dos povos conquistados e incorporá-los ao panteão oficial, Roma teve mais de 30.000 deuses e 157 feriados dedicados a eles durante um ano. Isto debilitou a lealdade aos deuses estatais. Afinal, quem poderia manter, ou, pelo menos, levar a sério tantas divindades?
A degradação dos costumes e a imoralidade exacerbada só era superada pelas orgias de sexo infinitas, com escravos e prostitutas, nos banhos públicos, onde costumavam passar a noite.
Esse clima de “Apocalipse” gerou uma receptividade ao conceito do Deus Único do Judaísmo. A conversão ao Judaísmo, no entanto, sempre foi rígida e exigia que o convertido adotasse sinceramente os ensinos da Torah.
O maior divulgador da ideologia judaica foi Philo Judeas. Influenciado pelo helenismo, buscou fundir a filosofia grega com o Judaísmo e converteu Onkelos, sobrinho de Nero e tradutor da Bíblia hebraica para o aramaico. Historiadores dizem que Pompéia, esposa de Nero, também era uma convertida e que Marco Aurélio considerou a conversão seriamente.
Apesar da multiplicidade de deuses estar se deteriorando e as condições para para o estilo de vida judaica fossem favoráveis, não havia um número muito grande de convertidos, mas, pelo menos, existiam milhares que praticavam os ideais judaicos.
Isso é explicável, pois, apesar de a religião dos nossos pais ser simpática à maioria dos romanos, existiam certas obrigações rituais difíceis de seguir, entre elas, a circuncisão, a maioria das leis eram fáceis de ser seguidas, como as leis do Sábado e do Kashrut, que eram muito populares. Além disso, a união com os judeus implicava não só uma identidade com o Deus dos hebreus, mas implicava a adoção de uma nova nacionalidade. Os romanos jamais pensariam em perder a cidadania romana. E essa foi a brecha que Paulo encontrou para conquistar os romanos.
O “marketing” de Paulo foi, justamente, manter as partes mais atraentes do Judaísmo, com sua conexão íntima com a Torah, enquanto retirava do novo culto os componentes não aceitos.
Afirmou que todas aquelas ordens que os romanos consideravam incômodas foram substituídas por Jesus. Ou seja, se convertendo ao cristianismo, os romanos podiam adotar a visão de Deus do Judaísmo, sem ter que se tornar “diferente”. Paulo removeu as barreiras. Conservou no cristianismo todas as vantagens judaicas, retirando a circuncisão e a ligação entre a religião e a identidade nacional. Proclamou que Cristo era o fim da lei e declarou uma “nova Israel espiritual”.
Os judeus observantes rejeitaram Paulo, a quem viram como um herege. No entanto, depois da sua morte (em torno de 67 EC), o cristianismo continou crescendo.
Muitas controvérsias surgiram com a nova religião, lutando por desenvolver sua teologia e seus dogmas, como a visão cristão da Trindade, nascimento da virgem, ressureição, etc.
A igreja cristã demorou uns 300 anos para desenvolver seus dogmas, que demonstraram ser uma síntese de idéias judaicas, gregas e outras ideologias pagãs.
Como o cristianismo crescia muito, o Estado Romano começou a resistir, procurando manter a estabilidade da religião estatal. O cristianismo foi proscrito e todos os praticantes pegos em flagrante foram crucificados ou dado como alimento aos leões no Coliseu. Isto só serviu para tornar o Cristianismo mais forte e em 312 EC aconteceu uma coisa que mudou a sorte do cristianismo e levou a ser considerada em 12 anos a religião do Estado Romano. O Imperador Constantino se converteu ao cristianismo. Com o império dividido em dois e o Império Ocidental desmoronando no século V, o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Bizantino, ou melhor, do Império Romano Oriental.
Constantino nunca teve nenhum respeito pela vida humana, chegando a executar seu primogênito, a segunda esposa e muitos outros familiares. Criou um cristianismo com uma fusão de símbolos pagãos e cristãos (sol e cruz). Por uns 100 anos essa fusão teve continuidade.
O fim dessa fusão não ajudou muito ao cristianismo, que logo transformou a cruz em espada, buscando converter o mundo ocidental, que não conseguia ver menos a sua mensagem que seus métodos. A igreja se transformava no monopólio religioso exigente que persiste até os dias de hoje.
Com o desaparecimento do paganismo, o Judaísmo começou a incomodar. Como sempre, estranho e separado, não assumiria compromissos com a igreja. Os judeus eram teimosos e se recusavam a curvar-se à nova religião. Continuavam acreditando na fidelidade Divina original.
Em pouco tempo, os judeus que viviam no Império Romano tinham perdido a maioria dos seus direitos. Frequentemente eram proferidos sermões nos altares católicos, instigando à violência e a idéia de apresentar aos judeus como assassinos de Jesus se originaram neste momento e foi popularizado por volta do século VII e persiste, mesmo veladamente, nas mais diversas seitas cristãs.
Este foi o ponto inicial de todo o anti-semitismo que vigora até os dias de hoje e que adormece e desperta de quando em quando.







sou professor de história e faltou muitas coisas nesta pág. de cristianismo.
mauro vieira | 15/mar/2009 | Responder