Conferência de Durban

Israel instruiu a sua delegação a abandonar a Conferência de Durban – uma conferência que se transformou muito rapidamente em um festival de ódio e calúnias vãs.

O Ministro das Relações Exteriores agradece aos Estados Unidos, ao seu presidente e ao Secretário de Estado, Colin Powell, que preservaram o respeito à responsabilidade internacional e o respeito à verdade nas relações entre os povos e decidiram, ainda antes de nós, abandonar esta conferência.

Esta é uma reunião pelos direitos humanos e o primeiro direito do ser humano é de permanecer vivo. Não permitiram a Israel que permanecesse vivo. Durante os 53 anos de nossa existência, fomos atacados cinco vezes, com a intenção de nos eliminarem e exterminarem. Entre uma guerra e outra houve atos de terror. Apesar disto, Israel encaminhou-se para a paz, devolvemos todos os territórios, toda a água e todo o petróleo ao Egito; devolvemos toda a água e todas as terras para a Jordânia; recuamos do Líbano, de acordo com a decisão 425 da ONU; comunicamos à Síria que estamos dispostos a nos encaminhar para a paz em troca de terra. Apesar de tudo isto, somos descritos de forma infundada e ofensiva, como país colonialista. Propusemos também aos palestinos em Camp David, que pudessem estabelecer um estado próprio independente, que pudessem receber a maior parte das terras de volta. Rejeitaram isto e passaram – o que lamentamos muito – de negociações pela paz, como nos comprometemos em Oslo, a sistemas de terror e ameaças.

O ministro das Relações Exteriores agradece, além do governo norte-americano, também ao Secretário Geral da ONU, que tentou salvar a conferência do vexame. Desejamos agradecer aos 43 países que se opuseram à decisão unilateral da Liga Árabe e da Liga Muçulmana. A Liga Árabe está totalmente mobilizada contra a paz. Também a Liga Muçulmana não está disposta a ouvir a voz da razão do Estado de Israel.

Diversamente de outras ocasiões, dentre os países que se opuseram a esta decisão unilateral e maldosa, encontram-se, além dos Estados Unidos, a Rússia, os quinze membros da União Européia, países do leste europeu, a maioria dos países da América Latina, Índia, Japão, Singapura, alguns países africanos. Estes, ao menos, salvaram a honra do mundo. O mundo não deve despencar para o nível da incitação e do ódio de mentiras a ponto de desesperar da possibilidade de manter um nível decente.

Isto não é o fim; a voz da verdade sobrepor-se-á à voz do ódio. A esperança de paz vencerá a incitação à guerra e de um povo que se volta contra o outro. Permanecemos fiéis à nossa verdade: um povo que augura aos seus vizinhos somente paz e somente liberdade. E utilizaremos as nossas armas somente quando formos atacados. Somente hoje, foram colocadas quatro bombas em Jerusalém para atingir civis inocentes; e tudo isto a conferência ignorou.

Não queremos dominar outro povo; não queremos atingir outro povo; queremos um mundo de paz, de compreensão e de verdade. É nesta direção que trataremos de agir no futuro.

Shimon Peres


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