A história dos nossos primeiros imigrantes judeus

É verão na Bessarábia, região ao sudeste da Rússia, clima ameno. Judeus bessarabienses recebem autorização para emigrar pela ICA, e embarcam para o Brasil. É agosto de 1904.

É primavera no hemisfério sul, 18 de outubro de 1904, aproximadamente 9 horas da manhã, a “Maria-Fumaça” para na estação de Pinhal, Distrito de Santa Maria, pequena cidade no centro do Rio Grande do Sul. Aí desembarcam umas 300 pessoas, integrantes de 38 famílias que meses antes saíram da opressão russa para a liberdade. A região onde se estabeleceram passou a se chamar Philippson.

O futuro parece vago, tudo é hipótese, só uma coisa é real: “Ouvi a palavra do Eterno, ó nações, e anunciai-a nas ilhas de longe, e dizei: aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará (Jer 31,10)”. Para cumprir-se tal profecia, necessário é que se espalhem judeus por todo o mundo. Em 1892 uma grande leva já emigrara para a Argentina. Agora, em 1904, inicia-se o primeiro ciclo imigratório de judeus no Brasil, de forma ordenada e oficializada pelo governo.

Estes pioneiros dão expressão dão expressão real do tema da poesia de Nathan Altermann (1910), “A Bandeja de Prata”, que todos conhecem. Não foi fácil apoderar-se da liberdade, muita lágrima, suor, dor, humilhação… Tudo a seu tempo foi sendo vencido, pois a esperança, a milenar esperança está tal qual as nascentes do Jordão: fervilha eternamente na alma de cada judeu, não importa como e nem onde ele viva, basta apenas confiar no Eterno, pois “serão como o Monte de Sião que não se abala, mas permanece para sempre (Sal 125,1)”.

Depois desta data, mais 55 famílias somaram-se aos pioneiros. A todos, nosso mais profundo respeito, pois com certeza, tiraram-nos das garras anti-semitas, tanto dos temíveis czares como do insano nazismo.

Em 18 de outubro de 1999 vão-se 95 anos. As raízes judaicas aqui fundadas, deram frutos, e que frutos! Hoje no Brasil, em todas as principais esferas, existem filhos, netos, bisnetos e, até, alguns tataranetos destes pioneiros trabalhando em prol do bem comum da sociedade. Há, também, os que passaram fronteiras e, em outros países, de igual forma levam os valores culturais de seus antepassados, através do trabalho, a todas as “gentes, povos, tribos e nações”.

Sobre estes 95 anos de lutas em novas paragens, uma coisa não poder ser esquecida:somos frutos daqueles que D-us espalhou e um dia congregará e guardará a todos, pois Ele assim prometeu.

Estas foram as primeiras 38 familias que se estabeleceram em Philippson
Abraão Russowsky
Abraão Steinbruch
Arão Kopstein
Arão Waisman
Berel Satkovitch
Bernado Kwitko
Boris Wladimirsky
Boris Wolff
Davi Groisman
Davi Schneider
Davi Treiguer
Efraim Chaiut ou Saute
Geraldo Aronis
Hersch Slipak
Idel Meir Steinbruch
Idine Druck
Isaac Goldman
Isaac Stifelman
Jacó Brechman
Jacó Schneider
Jaime Nudelman
Leão Soibelman
Leão Zelmanovitz
M. Salomão Akselrud
Marcos Burd
Menache Sibenberg
Mendel Aronis
Moisés L. Averbuch
Mordechai Teitelroit
Noé Schneider
Obe Schaie Lifchitz
Pinhe Seligman
Salomão Averbuch
Shalom Nicolaiewsky
Tobias Schwetsky
Velvel Akselrud
Zanvel Akselrud

Estas 55 familias vieram posteriormente para Philippson
Abraão Averbuch
Abraão Budin
Abraão Soltz
Adolfo Rosenberg
Adolfo Verba
Alfredo Grinspum
Arão Knijnik
Arão Waisman II
Bender Carnos
Boris Russowsky
Chaim Ber Verba
Davi Schostak
Davi Sikinowsky
Diniz Sibenberg
Felipe Procianoy
Isaac Nudelman
Israel Akcelrus
Jacó Verba
Jaime Bochernitzan
Jaime Brilman
Jaime Budiansky
Jaime Filchtiner
Jaime Leão Gitz
José Frankental
José Scherman
José Schneider
José Seligman
José Waldemar ou Wladiminsky
José Wolff
Kiva Neiros
Leão Knijinik
Leão Kwitko
León Cutin
Maurício Nisselovitch
Maurício Rosemberg
Meier Chassavoi Maister
Meir Druck
Mendel Chaiut ou Saute
Miguel Galanternik
Moisés Gamarnick
Moisés Goldenberg
Moisés Ricachinewsky
Moisés Sibenberg
Morris Silberstein ou Silverstone
Natan Goferman
Natan Schostak
Riven Aguinsky
Salomão Kruchin
Salomão Schwartz
Samuel Akcelrud
Samuel Wolff
Simão Raicher
Uchen Colman Steinbruch
Velvel Chazan
Zulmino Rachewsky

14 Comment(s)

  1. Descobri quando o meu avo chegou no Brasil. Tinha a impressão mesmo que era em 1904. E o vo Israel nasceu em 1911.

    Sonia Wolff | 21/abr/2009 | Responder

  2. Vou continuar a minha pesquisa.

    Sonia Wolff | 21/abr/2009 | Responder

  3. pelo que sei está invertido os nomes Abrãao Russowsky veio na segunda leva e seu filho mais velho( Boris) , meu avô e filho mais velho de Abraao veio primeiro ao Brasil.

    gerson russowsky | 13/dez/2009 | Responder

  4. FIQUEI FELIZ POR VER O NOME DO MEU AVÔ QUE EU SÓ CONHECI POR GRANDE RETRATO QUE SEMPRE ESTEVE NA SALA DA NOSSA CASA: BARBA LONGA E BRANCA,OLHOS AZUIS pRA MIM SEMPRE PARECEU UM RABINO.
    MEU PAI E SEUS IRMÃO TB VIVERAM EM PHILLIPSON
    NO INTERIOR DO RIO GRANDE DO SUL
    BEATRIZ KAMERGORODSKI 29/12/2009

    BEATRIZ KAMERGORODSKI | 27/dez/2009 | Responder

  5. Shalom Gerson Russowsky

    As informações que por mim foram postadas sobre colonização de Filipson, estão baseadas em literatura elaborada por filha de pessoas que vieram junto na primeira leva, isto é, 1904.

    Saliento ainda que no rol dos pioneiros, conforme mapa de distribuição das colônias, consta na colônia 45 como pertencente a Abraão Russowsky.

    Quanto ao Sr. Boris Russowsky, ele consta na lista em ordem alfabética da segunda leva.

    Não estou constestando sua colocação, apenas trabalhei sobre dados que creio consistentes.

    Visto seu pronunciamento, estarei revendo outras obras e dentro do possível consultando um filho de imigrante que vive aqui em Santa Maria-RS, e posteriormente estarei lhe retornando.

    Moshe Ben Mazal | 6/jan/2010 | Responder

  6. Tudo bem, Sobre meus sobrenomes quias deles ha indicação de ser judeu.

    marcos krein pacheco de campos | 1/fev/2010 | Responder

  7. Sou bisneta do Abraão Russowsky, e conforme o seu neto Boris,O bisa veio em 1904.E junto trouxe seus 6 filhos menores e só mais tarde veio o filho mais velho casado,que era Boris tbém.O Gerson esta enganado e tenho os documentos da terra que o primeiro Boris recebeu.(Sou irmã do Gerson)
    É muito bom ter essa ponte de comunicação.E tenho muitas informações que o meu pai deixou, ele tbém era Boris Russowsky,pois seu pai morreu antes de ele nascer.(Morreu da gripe espanhola)

    Manoelita Russowsky Raad | 27/mar/2010 | Responder

  8. Sou neta de Leon Soltz , gostaria de saber o grau de parentesco dele com Abraõ Soltz , pois só tenho conhecimento de minha familia à partir de meu avô Leon . Desde já agradeço .

    Rosemary Soltz | 24/abr/2010 | Responder

  9. Por tudo que ouvi de meus familiares ao longo de décadas, Abraão Russowsky chegou a estas paragens em 1904, na primeira leva.

    Saudações.

    Ciro.

    Ciro Russowsky | 3/mai/2010 | Responder

  10. Descobri que o irmão de meu bisavô Arão Waisman foi um dos pioneiros.

    Ricardo Wowczyk | 30/mai/2010 | Responder

  11. EStou contente de saber sobre a familia Russowsky.Sou filha de Mauricio Russowsky e irmao de Boris Russowsky. Uma perguntinha… porque se meu pai nasceu tambem em Santa Maria na mesma casa inclusive que tio Boris nasceu porque o nome dele esta esquecido completamente? Verifiquem por favor porque e um pouco decepcionante que esteja na lista dos Russowsky

    Clarice Rusowsky | 13/jun/2010 | Responder

  12. E tio Miguel que tambem faz parte dessa familia e tambem irmao de Boris Russowsky??? Porque ele tambem nao esta na lista?
    Seria bom fazerem uma nova recisao de pesquesa sobre o nome das familias por aqui, ok?
    Um abraco e Shavuh Tov!
    Clarice Russowsky

    Clarice Rusowsky | 13/jun/2010 | Responder

  13. manden literatura para minha residencia na rua antonio benedito do amaral n 279,Osasco muito bom tudo que leio ao nosso respeito em nossa comunidade.vamos permanecer sempre unidos,espero que me respondam com urgencia pois es pero colocar um pingo no Ocenao de nossas vidas que D ús nos abençoe..CHALOM.

    julio francisco do nascimento | 25/jun/2010 | Responder

  14. soy de buenos aires.hijo de leon soltz,e nelli zelmanovicz descendiente del baron hirsch.
    me gustaria saber parentesco con soltz de bra
    sil .
    saludos
    marcelo soltz

    marcelo | 29/jul/2010 | Responder

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