A eterna criação
Por Malkhut em 27/out/2000 em Parashah
E se D-us não terminou ainda a Sua obra, qual é o seu objetivo? O Seu objetivo final é a religação de tudo o que foi desligado. É Seu desejo que possamos refazer nossa ligação com Ele e com sua Luz. É nosso direito inalienável. É um dever imprescindível.
Para os cabalistas, existem forças que causam mudança no mundo natural, e existem forças psicológicas que nos levam a mudar o mundo e a nós mesmos, se estas forças são naturais ou psicológicas, elas estão no mesmo lugar: na consciência. Igualmente, existem formas que obedecem ao mundo físico (leis naturais) e há formas arbitrárias, criadas por nós como parte do processo de viver (as regras de um jogo, as características de uma máquina, a sintaxe de um idioma) e estas formas também estão no mesmo lugar: na consciência. Existe, porém, uma causa principal que contém todas as manifestações de força e forma no mundo natural e psicológico e aquela causa inicial que denominamos D-us.
De acordo com a física moderna, nós e o mundo físico somos matéria. O Big Bang cosmológico é um modelo de energia pura explodindo de um ponto infintesimal e condensando em formas básicas de matéria resfriada, em estrelas e galáxias, então planetas, e em última instância seres viventes, que tem muitos pontos de semelhança com o modelo cabalístico. O modelo do Big Bang sugere que uma estrutura de energia condensada de acordo com alguns princípios ainda a serem formulados é a Principal Teoria Universal do nosso mundo físico. O que a a Cabala sugere (e a física moderna não o faz, certamente!) é que a questão do Big Bang e a Consciência de D-us são a mesma coisa, diferindo somente no grau de estrutura imposto – a matéria é a Consciência Divina estruturada, que usa as leis regulares e simples da física. O primitivo, o primeiro princípio de consciência é semelhante à idéia de “D-us”.
O que está demonstrado nesta idéia é a base para a Árvore da Vida. O primeiro princípio de consciência é chamado Kether (Coroa). É chamada de energia pura de consciência Chochmah (Sabedoria), e é chamada a capacidade para dar forma à energia da consciência Binah (Entendimento, Inteligência). O resultado da interação da força e da forma é o mundo físico, Malchuth (Reino). Este quaternário é uma representação cabalística de “Deus-o-Conhecível”. Esta é a representação mais primitiva de D-us que nós somos capazes de compreender. Paradoxalmente, a Cabala também contém uma noção de Deus-o-Inconhecível, que está além dessa figura, e é chamada de En Soph (O Infinito).
A esta idéia podemos dar o nome, também, de “Jardim do Eden” porque representa um estado primitivo de consciência. O efeito da autoconsciência é dirigir um raio entre o Primeiro Princípio da Consciência (Kether) e aquela Consciência percebida como matéria e o mundo físico (Malchuth). Isto se sucedeu depois da criação de Adão, antes da sua expulsão do Paraíso. De um ponto de vista cabalístico, a história do Eden, com a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, a serpente e a tentação, e a expulsão do Paraíso tem muito significado em termos de entender como se dá a evolução da consciência.
No idioma da Cabala, as sephirot representam as dez emanações Divinas, os dez filtros por onde passa a energia de D-us, e se propaga ao longo da criação. As sephirot podem ser interpretados como aspectos de D-us ou manifestações de Sua energia.
Na estrutura da Árvore, existe, ainda, um décimo-primeiro estado, que, definitivamente, não é uma sephirah, mas é mostrada nas representações mais modernas da Árvore como um abismo. Ela seria o abismo criado quando da expulsão do Paraíso, quando Malchuth caiu, se distanciando do Criador e criando um buraco. Esta sephirah é chamada Daat, ou Conhecimento.
O objetivo final, então, da Criação, é que nós, através do nosso livre arbítrio, possamos transpor esse abismo e nos encontremos novamente no seio do Eterno.
Shabat Shalom!!







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