Parashah – YITRO

6 de Fevereiro de 2010 / 22 de Shevat de 5770.

Parashah YITRO – Êxodo l8. – 20.26

Haftarah – Isaías 6.1 – 7.6, 9.5,6

Esta parashah enfoca três temas básicos: A visita do sogro de Moisés, A subida de Moisés ao monte Sinai e Os Dez Mandamentos.

Jetro visita Moisés. Recaía sobre os ombros de Moisés a tarefa de organizar uma multidão tão grande e julgar o povo mesmo nas coisas insignificantes que surgiam entre eles a cada momento. Ele procurava fazer tudo em vez de repartir trabalhos e responsabilidades entre diversas pessoas. Quando seu sogro Jetro o visitou, trazendo-lhe sua esposa e filhos, Moisés recebeu seu conselho. Organizou Israel em grupos e colocou chefes sobre estes para resolver as dificuldades. Moisés demonstrou grande sabedoria e humildade ao receber as sugestões de outros.

Parece que nesta ocasião Jetro se converteu à religião do Senhor. Ao ouvir falar dos prodígios que D-us havia feito, Jetro reconheceu que D-us era supremo sobre os deuses pagãos e lhe ofereceu sacrifício (Ex.18.8,12).

A subida ao Sinai: Israel chegou ao monte Sinai aproximadamente seis semanas após sua partida do mar Vermelho. Ali permaneceu quase um ano (Núm.10.11). A montanha conhecida hoje como monte Sinai “é uma massa isolada de rocha que se levanta abruptamente da planície com imponente majestade”. O teólogo Ross observa: “Este local era muito apropriado para a promulgação da Lei. Havia uma magnífica concordância entre as rochas de granito do Sinai e os fundamentos duradouros da moral eterna”.

Ao pé do monte Sinai, Israel recebeu a lei e fez aliança com D-us como seu Rei. Esta forma de governo chama-se Teocracia. Nota-se nas palavras Alexander MacLaren a importância dos Dez Mandamentos:

“Uma obscura tribo de escravos procedentes do Egito submerge nos desertos e depois de quarenta anos sai com um código sintetizado em dez frases, muito breves, porém completas, onde estão entretecidas a moral e a religião, tão livre de peculiaridades locais ou nacionais e tão estritamente relacionadas com os deveres fundamentais, que hoje, após três mil anos, esse código é autoridade entre a maioria dos povos civilizados”.

O pacto da lei não teve a intenção de ser meio de salvação. Foi celebrado com Israel depois de sua redenção alcançada mediante poder e sangue. D-us já havia restaurado Israel à justa relação com Ele, mediante a graça. Israel já era seu povo. D-us desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo seu povo e a ter uma relação mais intima com Ele. O motivo que levasse a cumprir a Lei haveria de ser o amor e a gratidão a D-us por havê-los redimido e feito filhos seus.

D-us prometeu três coisas condicionadas à obediência de Israel (Ex.l9.5,6)

* Israel seria sua “propriedade peculiar” ou possessão. Implica tanto um valor especial como uma relação íntima. O Senhor escolheu a Israel dentre todas as nações para ser Seu povo especial e para ser como sua esposa (Isaías 54.5).

* Seria um “reino sacerdotal”. Os israelitas teriam acesso a D-us e deveriam representar o Senhor, seu Rei, perante o mundo inteiro.

* Seria “povo Santo”, diferente das nações pagãs que o rodeavam, uma nação separada para D-us, a que serviria e prestaria culto.

Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a lei, mas não percebera quão fraca é a natureza humana nem quão forte é a tendência para pecar. Séculos depois parece que se esqueceram de que estavam obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o pacto era incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do favor Divino (Jeremias 7.4-16).

Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça e não pudesse ser negociada pela obediência, podia, contudo, ser perdida pela desobediência.

Em geral são propósitos da Lei:

* Proporcionar uma norma moral pela qual os redimidos possam demonstrar que são filhos de D-us e viver em justa relação com seu Criador e com o próximo.

* Demonstrar que D-us é Santo e Ele exige a santidade de toda a raça humana.

* Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e fazê-la entender que somente mediante a graça pode ser salva.

A Lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e ajudá-lo a permanecer em contato com D-us. Mas junto com a Lei foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça. Os profetas posteriores demonstraram que sem fé e amor as formas, cerimônias e sacrifícios da Lei de nada valiam (Miquéias 6.6-8; Amós 5.21-24; Oséias 6.6; Isaías 1.1-15f).

Para gravar na mente hebraica a importância do pacto da Lei, D-us se apresentou em forma de nuvem, figura que Israel não poderia reproduzir, e pronunciou o Decálogo em voz troante. A santidade infinita de D-us foi ressaltada pelos preparativos que Israel devia fazer. Primeiro, os israelita tinham de santificar-se lavando suas vestes e praticando a continência. Segundo, Moisés devia marcar ao povo um limite em torno do monte Sinai para que os israelitas não o tocassem. Assim se acentuaram a grandeza inacessível de D-us e sua sublime majestade.

“Do meio de uma tremenda tempestade, acompanhada de terremotos e do som sobrenatural de trombetas, com a montanha toda envolta em fumo e coroada de chamas aterradoras, D-us falou as palavras dos Dez Mandamentos e deu a Moisés a Lei.”

Os Dez Mandamentos: D-us fez escrever os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra. Foram guardadas dentro da arca durante séculos. Portanto, deu-se ao Tabernáculo o nome de “tenda do testemunho”, para lembrar ao israelita que dentro da arca estava a Lei e que deviam viver de acordo com ela. Os primeiros quatro mandamentos tratam das relações que devem imperar entre os homens e D-us, e os restantes têm que ver com as relações dos homens entre si. A ordem é muito apropriada. Somente os que amam a D-us podem em verdade amar o próximo.

O significado dos Dez Mandamentos consiste no seguinte:

A unicidade de D-us: “Não terás outros deuses diante de mim”. Há um só D-us e só a Ele havemos de oferecer culto. Adoração a anjos, a santos ou qualquer outra coisa é violação do primeiro mandamento.

A espiritualidade de D-us: ”Não farás para ti imagem”. Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor. Dt.27:15. Proíbe-se não somente a adoração de imagens ou de deuses falsos, mas também o prestar culto ao verdadeiro D-us de forma errada. Tais coisas desagradam ao Criador, D-us é espírito e não tem forma.

A santidade de D-us: ”Não tomarás o nome do Senhor teu D-us em vão”. Este mandamento inclui qualquer uso do nome de D-us de maneira leviana. Blasfema ou insincera. Deve-se reverenciar o nome Divino porque revela o caráter de D-us.

A soberania de D-us: “Lembra-te do dia do Sábado, para santificá-lo”. Um dia da semana pertence a D-us. Reconhecem-se a soberania de D-us guardando o dia de repouso, visto que esse dia nos lembra que D-us é o Criador a quem devemos culto e serviço. “Santificar” o dia significa separá-lo para culto.

Respeito aos representantes de D-us. “Honra o teu pai e a tua mãe”. O homem que não honra os seus pais tampouco honrará a D-us, pois esta é à base do respeito a toda a autoridade.

A vida humana é sagrada: “Não matarás”. Este mandamento proíbe o homicídio mas não a pena capital, visto que a própria Lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra, visto como o soldado atua como agente do estado. Convém lembrar que muitas vezes nós matamos pessoas com palavras, gestos e etc. O exemplo mais comum são pais que chamam seus filhos de burros, incompetentes, idiotas, etc.

A família é sagrada: “Não adulterarás”. Este mandamento protege o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por D-us. Isto vigora tanto para o homem como para a mulher (Levítico 20.10).

Respeito à propriedade alheia: “Não furtarás”. Há muitas maneiras de violar este mandamento, tais como não pagar o suficientemente ao empregado, não fazer o trabalho correspondente ao salário combinado, cobrar demasiado, descuidar a propriedade do senhor, …

A Justiça: “Não dirás falso testemunho”. O testemunho falso, desnecessário, sem valor ou sem fundamento constitui uma das formas mais seguras de arruinar a reputação de uma pessoa e impedi-la de receber tratamento justo por parte dos outros.

10° O controle dos desejos: “Não cobiçarás”. A cobiça é o ponto de partida de muitos pecados contra D-us e contra os homens.

As palavras “porque eu, o Senhor teu D-us, sou D-us zelos, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Ex.20.3) devem ser interpretadas à luz do caráter de D-us e de outros textos das escrituras. D-us é zeloso no sentido de ser exclusivista, não tolerando que Seu povo preste culto a outros deuses. Como um marido que ama sua esposa não permite que ela reparta seu amor com outros homens – Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; Ele será chamado o D-us de toda a terra. Is.54:5. D-us não tolera nenhum rival.

 

D-us não castiga os filhos pelos pecados de seus pais senão nos casos em que os filhos continuem nos pecados dos pais. Castiga os que o “aborrecem” e não os arrependidos. “A alma que pecar, essa morrerá”; “o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho” (Ezequiel 18.20). Em vez disso, a maldade passa de geração a geração pela influência dos pais quando chega a seu ponto culminante, D-us traz castigo sobre os pecadores (Gênesis 15.16; 2° Reis 17.6-23).

Shabat Shalom!

MSc. Moshe ben Mazal


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