Parashah – CHUKAT – BALAK

4 de Julho de 2009 / 12 de Tamuz de 5769.

Parashah – CHUKÁT / BALAK – Nm. 19:1 – 25:9

“Este é o estatuto da Lei que ordenou o Eterno, dizendo: Fala aos filhos de Israel para que tomem em teu nome uma vaca vermelha, perfeita, na qual não haja defeito, e que ainda não tenha levado jugo.” 19:1

O preceito da vaca inteiramente vermelha é uma Lei denominada “chuqát”, isto é, uma sentença de D-us, a qual devemos observar indiscutivelmente, mesmo que não nos seja dado compreender as razões pela qual foi instituída. Os preceitos de: Não acender fogo no sábado, não vestir lã e linho juntos, não cozinhar o cabrito com o leite de sua mãe, e muitos outros, fazem parte desta classe de Lei. A “água viva” misturada com a cinza desta vaca tinha a faculdade de fazer tornar puros os impuros, e os homens puros que se ocupavam do processo das vacas ficavam impuros com o seu contato, segundo se nota lendo o capítulo dezenove. Somente a D-us cabe esclarecer o estatuto da “parah edumah”. Entretanto, este preceito fazia estimular a criação bovina, pois que, o nascimento de uma vaca inteiramente vermelha (dois pelos pretos a tornava inapta ao sacrifício) constitui até hoje uma coisa muito rara, e para quem a tinha então, o seu preço valia uma fortuna.

“E tiveram os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de Tain, no primeiro mês, e esteve o povo em Cadésh; e morreu ali Mirian, e foi sepultada ali.” 20:1

No quadragésimo ano da saída dos israelitas do Egito, morreu Miriam, a irmã de Moisés e Aarão. Segundo o exegeta Rashi, ela também se separou deste mundo com uma morte doce e suave conforme a dos seus irmãos, e por mérito desta profetiza, D-us providenciou aos filhos de Israel água no deserto. Vemos em Miriam a boa irmã que vigia o pequeno Moisés flutuando entre a vida e a morte numa cestinha sobre o Nilo, até vê-lo salvo, contribuindo com a sua ingenuosidade, ao bem estar do menino (Êx.2:4-9). Oitenta anos mais tarde, vemo-la tomando parte preponderante na libertação dos israelitas do Egito e cantando ao Eterno em ação de graças, à beira do Mar Vermelho, a salvação de Israel (Êx.15:20,21). A Escritura Sagrada por meio do profeta Miquéias, a coloca ao lado de Moisés e Aarão neste feito glorioso: “Pois te fiz sair da terra do Egito e te remi da casa de escravidão; enviei diante de ti a Moisés, a Aarão e a Miriam”. Mq. 6:4.

“E disse o Eterno a Moisés e a Aarão: Porquanto não crestes em Mim, para santificar-me aos olhos dos filhos de Israel, por isso não trareis esta congregação à terra que lhes dei”. 20:12

A primeira vista parece que a severidade do castigo não corresponde ao pecado. Além disso, que diferença houve se em lugar de falar ao penhasco, o golpeou com a vara que igualmente deu água? A resposta a esta pergunta a encontramos no fato de que D-us ordenou Moisés levar consigo a vara naquela ocasião (vers. 7). O povo atribuía esta vara poderes milagrosos. Por isso, desta vez, a ordem foi não utiliza-la, mas falar ao penhasco para que desse água, afim de extirpar completamente a idéia errada de que os milagres eram realizados somente por meio da vara e não pelo Poder Divino. Foi por isso que D-us lhes disse: “Porque não crestes em Mim para Me santificardes” etc. (ver. 12). Um guia espiritual deve saber falar ao penhasco e não golpeá-lo, e quanto maior é a pessoa, maior é a sua responsabilidade considerando-se-lhe como graves, os erros, que para outros são pequenos.

Toma a Aarão e a Eleazar seu filho, e faze-os subir ao monte de Hor. 20:2

 O midrash relata o fim do Grande Sacerdote “Aarão Hacohen”.

“Moisés levantou-se pela manhã e foi ter com o seu irmão: – Porque vens tão cedo? Perguntou Aarão admirado.  – Uma palavra da Torah turvou o meu sonho e não me deixou dormir, respondeu Moisés.  – E qual é esta estranha palavra? Inquiriu Aarão.  – Não me lembro mais, porém sei que ela se encontra em Gênesis, foi a resposta de Moisés. Abriram imediatamente o primeiro livro da Torah e leram os relatos da Criação, mas quando chegaram à morte de Adão e Eva, pararam tristes e resignados. Aarão tinha compreendido tudo. Moisés, Aarão e Eleazar seu filho subiram à montanha e eis que uma gruta abriu-se perante eles; um leito estava lá preparado e uma lâmpada brilhava. Aarão tirou suas vestes sacerdotais e fê-las vestir a Eleazar, Depois se estendeu sobre o leito e fechou os olhos”.

Toda a casa de Israel chorou Aarão. Entretanto quando morreu Moisés, ele foi chorado somente pelos filhos de Israel (Dt. 34:8) e não por todos, pois Aarão foi o amigo do povo em geral, semeava a paz entre os homens e os matrimônios e reconciliava-os. “Olev shalom verodef shalom”. Assim é, que na sua morte, toda a casa de Israel levou o luto.

“Portanto se diz no livro das guerras do eterno: Os milagres que Ele fez no Mar Vermelho, e aqueles nos rios que se estendiam no meio do território de Ar (Moab) e agora está junto ao termo de Moab”. 21:14

Rashi comenta aqui os milagres que aconteceram aos israelitas nos rios de Arnon e disse que se deve recordar também estes milagres, conforme são recordados os milagres do Mar Vermelho.

O que aconteceu em Arnon foi, que o povo de Sihon escondeu-se nas cavernas que havia nas duas ladeiras dos montes, entre os quais se achava o estreito vale de Arnon. Os israelitas deviam passar por lá e os Amoreus iam massacra-los. Porém ao chegarem os israelitas ao cume do monte para descer ao vale, os dois montes se juntaram e os inimigos de Israel que se encontravam nas ladeiras ficaram esmagados sem que os israelitas de dessem conta. Entretanto, depois que os montes se juntaram e os israelitas passaram, os montes voltaram a sua antiga posição e o rio do vale arrastava consigo o sangue e os membros dos corpos dos inimigos esmagados. Foi então que os israelitas compreenderam o grande milagre e cantaram um cântico ao famoso poço de água (que segundo Midrash acompanhou-os durante os quarenta anos que estiveram no deserto) pois foi por meio deste, que os israelitas tomaram conhecimento do milagre ocorrido.

Ao final deste comentário, entendemos nada melhor que concluirmos, meditando o Salmo abaixo:

Bom é louvar ao Eterno, e cantar louvores ao Teu Nome, ó Altíssimo! Sl.92:1

Shabat Shalom !

MSc. Moshe ben Mazal


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