VAYAKHEL / PEKUDEI

13.03.2010 / 27 de Adar de 5770.

Parashah – VAYAKHÉL – Ex.35:1 – 38:20 / PEKUDEI – Ex. 38:21– 40:38

Haftarah – I Reis 7.13- 26 / I Rs 7:40– 8:21

VAYAKHEL

“E reuniu Moisés toda a congregação dos filhos de Israel e disse-lhes: Estas são as coisas que ordenou o Eterno que se fizessem. Seis dias fazer-se-á trabalho, e no SÉTIMO DIA haverá para vós SANTIDADE, Sábado de repouso ao Eterno: Todo aquele que nele fizer trabalho, será morto (Ex.35.1,2)“.

Antes de fixarmos no texto inicial da parashah, iremos discorrer um pouco sobre história, a que mudou a guarda do Sábado para o Domingo, segundo busca em várias obras que tratam do assunto.

A mudança de Sábado para Domingo

Já no século segundo da era atual, o Domingo era guardado em lugar do Sábado pelos cristãos de Alexandria. Essa apostasia local fora evidentemente derivada do gnosticismo, um sistema mal versado do ponto teológico e filosófico que ali se estabelecera. Mas não tardou essa defecção em estender suas raízes a outras partes, de maneira que, no século terceiro já se guardavam, em diversos lugares, ambos os dias. O domingo, porém, ia tomando ascendência sobre o Sábado, até suplantá-lo por completo.

Os pagãos do império romano guardavam o atual Domingo, o primeiro dia da semana, ao qual honravam como “dies solis” (dia do Sol ou o também conhecido Sunday). Essa prática foi aceita pelo gnosticismo, passando daí para a igreja em Alexandria , como acabamos de referir. E, no século quarto, grande parte da cristandade já guardava o dia do Sol dos pagãos, como sendo o dia do Senhor.

Constantino Magno, Imperador pagão, via que a linha demarcatória entre o cristianismo e o paganismo se desvanecia mais e mais. Era claro que com um pouco de esforço, podia ganhar apoio, não só dos seus súditos pagãos, mas também dos cristãos. Mas, para tanto, era necessário que os dois credos se aproximassem mais ainda, pois a fusão entre o cristianismo e o paganismo ainda não era completa. Havia muitos cristãos fiéis que guardavam o verdadeiro descanso do Altíssimo – o Sábado – que é o quarto mandamento da Lei Original de D-us, rejeitando como fruto do paganismo, a observância do primeiro dia da semana (Domingo), o dia do Sol. Visando salvaguardar a suposta santidade do primeiro dia da semana e favorecer a aproximação das duas classes, Constantino, a 7 de março de 321 AD (Era Atual), promulgou o seguinte decreto:

Que todos os juizes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo Céu.” – Codex Justinianus, lib. 3, tit. 12. Par. 2(3).[/i]

Esta lei foi acatada de bom grado pelos dirigentes da igreja em Roma. “Em quase todos os concílios o Sábado que D-us havia instituído, era rebaixado um pouco mais, enquanto o Domingo era em idêntica proporção exaltado. Destarte a festividade pagã veio finalmente a ser honrada como instituição divina, ao mesmo tempo em que se declarava ser o Sábado bíblico, relíquia do judaísmo, amaldiçoando-se os seus observadores”. E.G.White, O Grande Conflito, pág. 50.

Do exposto, vem uma grande pergunta: Com que poder um pagão muda algo que nos proporciona Santidade?

Promessa de Santidade

Não discorreremos sobre o tema Santidade, suficiente é lembramos o texto, Portanto santificai-vos, e sede santos, pois Eu sou o Senhor vosso D-us. Lv.20:7.

Acredito piamente, que apenas este versículo deixado por Moisés, através de inspiração Divina, é suficiente para despertar em nós a necessidade de obedecermos a D-us em toda sua plenitude, para que continuemos como povo eleito a servi-lo para Sua Honra e Glória. Necessário se faz, para que estejamos neste espaço concedido por D-us, nunca esqueçamos de sermos SANTO porque Ele, o Eterno, é SANTO.

PEKUDEI

Temos no versículo inicial desta parashah o enfoque que Moisés era o responsável por todos os trabalhos, reuniu a coletividade e declarou as contas em público a fim de não dar lugar a dúvidas no que se refere ao emprego da prata, do ouro e de outras doações feitas para confecção do Tabernáculo. Mesmo sendo venerado e sua honestidade conhecida por todos, Moisés fez questão de prestar contas, servindo de exemplo a todos os dirigentes comunais, para que fizessem o mesmo. “Quando à hora do comparecimento do homem perante o Juiz Supremo soar, D-us, em primeiro lugar, pede-lhe que preste conta para ver se foi honesto em suas transações”.

No versículo 11 do capítulo 39, observamos que o Midrash escreve que uma das pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote perdeu-se um dia. Era a safira, e não podiam encontrar outra do mesmo tamanho e cor apropriada para este uso.

Os rabinos souberam que certo pagão, cujo nome era Damá, filho de Netimá a possuía, e este se prontificou a vendê-la por mil “siclos”. Porém quando entrou no gabinete para trazer a pedra preciosa, viu que seu pai estava deitado sobre a chave do cofre, e recusou-se molestá-lo. Os rabinos assim, não conseguiram convencê-lo. Então esperaram que Netimá se acordasse, então o filho pegou a pedra e disse aos rabinos: Ei-la aqui! Pagai-me o preço de mil siclos, pois não quero tirar proveito do respeito que devo a meu pai!

Ao continuar a leitura da parashah, verificamos que com relação ao texto do versículo 30 do capítulo 39, há um comentário no Talmude (Shabat) de que um nobre pagão, tendo ouvido o relato das magníficas indumentárias que vestia o sumo sacerdote se dirigiu ao chefe da célebre escola “Bet-Shamai” e disse –lhe: Possuo uma grande fortuna e sou muito considerado entre a gente. Converter-me-ei ao Judaísmo, com a esperança de ser, algum dia, sumo sacerdote, e poder levar os seus ornamentos. Ouvindo isto, Shamai despediu-o rudemente.

O pagão não desanimou e dirigiu-se ao famoso Hilel, manifestando-lhe o seu desejo. Hilel fez-lhe ver com boas maneiras que ninguém, a não ser da família de Aarão, o sacerdote, poderia levar as ditas vestimentas (Nm.18:7). O pagão compreendeu e renunciou as suas pretensões, mas converteu-se ao Judaísmo e foi um bom israelita, fazendo parte do reino de sacerdotes povo de Israel – Êx. 19:6. Então ele disse: “A rudeza de Shamai me rechaçou, mas doce maneira de Hilel me recolheu e me fez chegar a isto”.

Continuando a leitura da parashah, verificamos no versículo três do capítulo 40, onde mais uma vez o Midrash, escreve parábola referente à Casa de D-us.

Um rei tinha uma filha que muito a estimava. Educou-a da melhor forma e quando estava em idade de casar, escolheu um marido digno dela.

Uma vez celebrada a boda, ao chegar o amargo momento da despedida, ele falou nestes termos ao jovem cônjuge:

“Dou-te minha filha como esposa, desligando-me assim de meu direito de permanecer em sua proximidade. Espero que saibas cuidar bem dela, e como me resulta dura esta separação, te peço querido genro, que sempre me reserves um aposento para que possa ir de vez em quando desfrutar da companhia deste ser que é tão querido”.

De igual modo D-us deu a Torah, por assim dizer, sua filha querida, ao povo de Israel, recomendando-lhe: “Confio-vos esta jóia. Espero que saibais cuidar dela e que não esquecereis de reservar-me, em qualquer lugar em que viveis, uma morada da qual eu possa fazer uso, para permanecer a seu lado”. E desde então o Templo constituiu a casa de D-us.

Ainda no capítulo 40 versículo 17 a leitura leva-nos a concluir que o Tabernáculo foi feito, sobretudo, para inculcar no povo a idéia da Presença Divina, que D-us se encontra em todo o lugar e acompanha o homem onde quer que esteja. “Em todo o lugar onde Eu fizer recordar o Meu Nome, virei Ter contigo e te abençoarei”.

Quando Titus penetrou no Templo de Jerusalém, buscou o D-us que os israelitas adoravam, mas nada pode encontrar. Como pagão não podia compreender como era possível adorar aquele D-us Invisível.

“Eis que os céus, e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa”. (I Reis 8,27). Porém quando os homens unidos elevam seus corações ao Eterno, com sinceridade, D-us desce e mora entre eles: “E farão para mim um santuário, e Eu habitarei entre eles“(Êx.25:8).

E finalmente, quando lemos o último versículo da presente parashah, encontramos a mesma palavra que encontramos por duas vezes no primeiro versículo desta, qual seja: “Mishqan” (Tabernáculo) nossos sábios vem nesta repetição uma alusão ao Templo que foi duas vezes destruído. Uma outra interpretação diz que a palavra “Mishqan” tem uma grande semelhança com “Mashqon”, o que significa prenda ou garantia. Sendo assim, o Mishqan é uma “prenda” que D-us tem do povo de Israel. Quando Israel abandona a senda de D-us, Ele exige a sua prenda e esta foi à causa da destruição dos dois Templos.

Porém, se estes foram destruídos materialmente, o Templo espiritual jamais o será, pois “A nuvem do Eterno estará sobre ele de dia, e à noite haverá fogo nele; aos olhos de toda a casa de Israel em todas as suas jornadas” Ex.40:38.

Shabat Shalom !

Ms Moshe ben Mazal


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